{"id":1098,"date":"2016-09-12T15:49:01","date_gmt":"2016-09-12T19:49:01","guid":{"rendered":"http:\/\/amdepol.org\/sindepo\/?p=1098"},"modified":"2016-09-12T15:49:01","modified_gmt":"2016-09-12T19:49:01","slug":"prisao-apos-2o-grau-nao-reduz-criminalidade-so-aumenta-o-risco-de-injusticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/2016\/09\/prisao-apos-2o-grau-nao-reduz-criminalidade-so-aumenta-o-risco-de-injusticas\/","title":{"rendered":"Pris\u00e3o ap\u00f3s 2\u00ba grau n\u00e3o reduz criminalidade, s\u00f3 aumenta o risco de injusti\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>Houve tempo em que vigorava na Justi\u00e7a Criminal a cren\u00e7a de que era prefer\u00edvel culpados soltos a um \u00fanico inocente preso. N\u00e3o t\u00ednhamos na Constitui\u00e7\u00e3o a norma da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia. Era o bom senso, o temor de se praticar injusti\u00e7as que mandava aguardar o tr\u00e2nsito em julgado da condena\u00e7\u00e3o, para s\u00f3 ent\u00e3o executar-se a pena. Hoje, mesmo com o princ\u00edpio da n\u00e3o culpabilidade consagrado expressamente na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, pretende-se adotar a m\u00e1xima inversa: \u00e9 prefer\u00edvel um inocente preso a um culpado solto!<\/p>\n<p>Diz-se que isso representaria avan\u00e7os (?), um golpe contra a impunidade. Sustenta-se que n\u00e3o mais que 20% das condena\u00e7\u00f5es acabam revertidas no STF, o que seria um indicativo de que a confirma\u00e7\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o em segunda inst\u00e2ncia (tribunais) \u00e9 motivo bastante para dar-se a imediata execu\u00e7\u00e3o da pena.<\/p>\n<p>\u00c9 que nos tribunais encerra-se a an\u00e1lise dos fatos, exaurindo-se a presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia, considerando que os recursos cab\u00edveis a partir da\u00ed, ao STJ ou STF, n\u00e3o se prestam a revolver fatos e rediscutir provas, mas apenas analisar quest\u00f5es de direito.<\/p>\n<p>Ora, e quest\u00f5es de direito n\u00e3o s\u00e3o importantes? Um tipo penal de duvidosa constitucionalidade submeter\u00e1 desde logo o r\u00e9u ao cumprimento da pena enquanto aguarda decis\u00e3o de seu recurso \u00e0 Corte Constitucional. Falhas processais levadas ao STJ n\u00e3o evitar\u00e1 a execu\u00e7\u00e3o imediata da reprimenda.<\/p>\n<p>Essa reviravolta em nada auxilia na redu\u00e7\u00e3o da criminalidade. Apenas exp\u00f5e a sociedade a maiores riscos de injusti\u00e7as, cria inseguran\u00e7a jur\u00eddica e fulmina a natureza p\u00e9trea das cl\u00e1usulas de direitos fundamentais.<\/p>\n<p>Se nem mesmo proposta de emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o que pretenda reduzir as liberdades p\u00fablicas pode ser debatida pelo Poder Constituinte Derivado (exercido soberanamente pelo Congresso Nacional), n\u00e3o deveria o STF autorizar medida vedada explicitamente pelo artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o: inciso LVII &#8211; ningu\u00e9m ser\u00e1 considerado culpado at\u00e9 o tr\u00e2nsito em julgado de senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sobre o autor:<\/strong> Ali Mazloum \u00e9 Juiz Federal, mestre em Ci\u00eancias Jur\u00eddico-Criminais, especialista em Direito Penal e professor de Direito Constitucional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Houve tempo em que vigorava na Justi\u00e7a Criminal a cren\u00e7a de que era prefer\u00edvel culpados soltos a um \u00fanico inocente preso. 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