{"id":11194,"date":"2019-07-08T15:20:45","date_gmt":"2019-07-08T19:20:45","guid":{"rendered":"http:\/\/amdepol.org\/sindepo\/?p=11194"},"modified":"2019-07-08T15:23:14","modified_gmt":"2019-07-08T19:23:14","slug":"o-homicidio-doloso-perpetrado-pelo-marido-convivente-namorado-e-amasiado%c2%b9-em-face-da-sua-mulher-por-motivo-de-ciume-atrai-por-si-so-a-figura-do-feminicidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/2019\/07\/o-homicidio-doloso-perpetrado-pelo-marido-convivente-namorado-e-amasiado%c2%b9-em-face-da-sua-mulher-por-motivo-de-ciume-atrai-por-si-so-a-figura-do-feminicidio\/","title":{"rendered":"O homic\u00eddio doloso perpetrado pelo marido, convivente, namorado e amasiado\u00b9, em face da sua mulher, por motivo de ci\u00fame, atrai por si s\u00f3, a figura do feminic\u00eddio?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000000;\">H\u00e1 uma discuss\u00e3o travada na doutrina e jurisprud\u00eancia, se a morte produzida pelo ci\u00fame<span style=\"color: #3366ff;\">[2]<\/span> de marido de maneira dolosa, em face da esposa poderia acumular com a qualificadora de motivo torpe e ao mesmo tempo ser feminic\u00eddio<span style=\"color: #3366ff;\">[3]<\/span>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Essa discuss\u00e3o se desdobra em v\u00e1rios pontos, nos quais ilustraremos adiante para melhor compreens\u00e3o:<\/span><\/p>\n<ol>\n<li><span style=\"color: #000000;\">se o feminic\u00eddio \u00e9 de natureza subjetiva, conforme posi\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria? se o feminic\u00eddio \u00e9 de natureza objetiva, posicionamento este majorit\u00e1rio<span style=\"color: #3366ff;\">[4][5]<\/span>?<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\">ainda h\u00e1 quem sustente que se teria uma hibridez, assim parte do feminic\u00eddio seria subjetiva (se afeta \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero) e a outra parte objetiva<span style=\"color: #3366ff;\">[6]<\/span> (relativa \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica ou familiar).<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\">h\u00e1 ainda quem visualize a possibilidade de o marido ceifar a vida da esposa, sem os componentes de viol\u00eancia dom\u00e9stica ou de raz\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o do sexo feminino, n\u00e3o cometeria feminic\u00eddio, mas sim poss\u00edvel homic\u00eddio simples ou o homic\u00eddio com qualquer outra qualificadora que n\u00e3o do inciso VI (feminic\u00eddio).<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Descobrir o que consiste uma viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, assim como o menosprezo ou discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o da mulher, nos parece ser fundamental para o desate destes pontos nodais e de relev\u00e2ncia \u00e0 celeuma. Ademais, descobrir as varia\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, bem como o menosprezo ou discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o da mulher, \u00e9 fazer uma incurs\u00e3o no \u00e2mago da discuss\u00e3o, e implica em uma leitura atenta \u00e0 Lei Maria da Penha, em que uma das hip\u00f3teses de incid\u00eancia \u00e9 justamente, a rela\u00e7\u00e3o \u00edntima de afeto. E mais, para chegarmos ao conceito de feminic\u00eddio, imp\u00f5e uma an\u00e1lise da Lei n\u00ba 13.104\/2015, conjugada com a Lei Maria da Penha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Com advento da Lei n\u00ba 13.104\/2015, o homic\u00eddio doloso tentado ou consumado, em face da mulher em \u00e2mbito dom\u00e9stico e familiar ou por menosprezo ou discrimina\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de mulher passa a ser homic\u00eddio qualificado expressamente como \u201cfeminic\u00eddio\u201d. Vejamos:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"color: #000000;\">\u201c\u00a7 2\u00ba &#8211; A Considera-se que h\u00e1 \u201craz\u00f5es de condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino\u201d quando o crime envolve:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">I &#8211; viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">II &#8211; menosprezo ou discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher\u201d.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Nessa circunst\u00e2ncia, temos que o marido que mata a esposa por ci\u00fame<span style=\"color: #3366ff;\">[7]<\/span>, \u00e9 necessariamente um feminic\u00eddio, mormente quando voltamos o olhar, ao art. 5\u00ba<span style=\"color: #3366ff;\">[8]<\/span> e 7\u00ba<span style=\"color: #3366ff;\">[9]<\/span>, ambos da Lei Maria da Penha. Por essas disposi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o conseguimos desvencilhar do fato de estarmos perante um feminic\u00eddio, diante da situa\u00e7\u00e3o hipot\u00e9tica, em que o marido, convivente, namorado e amasiado mata dolosamente (ou tenta matar) a esposa (com as demais vari\u00e1veis do estado civil) por ci\u00fame.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O Superior Tribunal de Justi\u00e7a quando enfrentou a natureza do feminic\u00eddio, o fez como qualificadora de ordem objetiva \u2013 embora tenhamos nossas ressalvas neste ponto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Essa conclus\u00e3o inicial pretoriana, \u00e9 importante ao menos, como ponto de partida, para averiguarmos poss\u00edvel compatibilidade de qualificadoras de ordem objetiva e de ordem subjetiva.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Ter\u00edamos nessa perspectiva outra problem\u00e1tica: se partirmos do pressuposto de que o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) entende ser o feminic\u00eddio qualificadora de ordem objetiva, seria poss\u00edvel conciliar com outra qualificadora e at\u00e9 mesmo com o privil\u00e9gio? N\u00e3o poderia apresentar uma poss\u00edvel antinomia, frente a singularidade desta situa\u00e7\u00e3o? Em respostas \u00e0s provoca\u00e7\u00f5es contidas nos questionamentos pelo menos no que toca \u00e0s qualificadoras, a orienta\u00e7\u00e3o do STJ tem sido que:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"color: #000000;\">\u201cconsiderando as circunst\u00e2ncias subjetivas e objetivas, <strong>temos a possibilidade de coexist\u00eancia entre as qualificadoras do motivo torpe e do feminic\u00eddio. Isso porque a natureza do motivo torpe \u00e9 subjetiva, porquanto de car\u00e1ter pessoal, enquanto o feminic\u00eddio possui natureza objetiva, pois incide nos crimes praticados contra a mulher por raz\u00e3o do seu g\u00eanero feminino e\/ou sempre que o crime estiver atrelado \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar propriamente dita<\/strong>, assim o <em>animus<\/em> do agente n\u00e3o \u00e9 objeto de an\u00e1lise\u201d (STJ &#8211; REsp 1.707.113\/MG, de Relatoria do Ministro Felix Fischer, publicado no dia 7.12.2017).<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"color: #000000;\">E mais:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u201cN\u00e3o caracteriza <em>bis in idem<\/em> o reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe e de feminic\u00eddio no crime de homic\u00eddio praticado contra mulher em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar\u201d <\/strong>[STJ. 6\u00aa Turma. HC 433.898-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24\/04\/2018 (Info 625)].<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Ent\u00e3o, na vis\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, temos a possibilidade de coexist\u00eancia entre as qualificadoras do motivo torpe e do feminic\u00eddio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Todavia, em contraponto extremamente elogi\u00e1vel (do qual comungamos do seu ponto de vista) a esse assunto que parece ganhar certa tend\u00eancia na Corte acima, o promotor de justi\u00e7a, <span style=\"color: #3366ff;\"><a style=\"color: #3366ff;\" href=\"http:\/\/genjuridico.com.br\/franciscodirceubarros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Francisco Dirceu Barros<\/a><\/span>, faz uma an\u00e1lise bem aprofundada sobre a tem\u00e1tica, consignando que:<\/strong><\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u201cO Dissenso Doutrin\u00e1rio<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">No que tange \u00e0 natureza da qualificadora do feminic\u00eddio, h\u00e1 grande controv\u00e9rsia doutrin\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>1.\u00aa POSI\u00c7\u00c3O:<\/strong>\u00a0<strong>FEMINIC\u00cdDIO \u00c9 UMA QUALIFICADORA SUBJETIVA, PORTANTO \u00c9 JURIDICAMENTE IMPOSS\u00cdVEL A EXIST\u00caNCIA DE UM FEMINIC\u00cdDIO PRIVILEGIADO.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Defendo no livro\u00a0<em>Tratado doutrin\u00e1rio de direito penal<\/em>\u00a0que:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong><u>Entendo que qualificadora do feminic\u00eddio \u00e9 subjetiva<\/u><\/strong>, na medida em que se enquadra na motiva\u00e7\u00e3o do agente. <strong>Ou seja, \u00e9 homic\u00eddio cometido por estritas raz\u00f5es relacionadas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher, n\u00e3o havendo liga\u00e7\u00e3o com os meios ou modos de execu\u00e7\u00e3o do crime. A viol\u00eancia dom\u00e9stica, familiar e tamb\u00e9m o menosprezo ou discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher, n\u00e3o s\u00e3o formas de execu\u00e7\u00e3o do crime, e sim a motiva\u00e7\u00e3o delitiva; portanto, o feminic\u00eddio \u00e9 uma qualificadora subjetiva<\/strong>.<span style=\"color: #ff6600;\"><a style=\"color: #ff6600;\" href=\"http:\/\/genjuridico.com.br\/2019\/04\/05\/feminicidio-privilegiado-o-privilegio-de-matar-mulheres\/#_ftn4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong><em>[4]<\/em><\/strong><\/a><\/span> [grifos nossos].<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Assim, s\u00e3o qualificadoras:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>a) Subjetivas (artigo 121, incisos I, II, V e VI, do CP)<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">I \u2013 mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">II \u2013 por motivo f\u00fatil;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">V \u2013 para assegurar a execu\u00e7\u00e3o, a oculta\u00e7\u00e3o, a impunidade ou vantagem de outro crime;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">VI \u2013 contra a mulher por raz\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">VII \u2013 funcional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>b) Objetivas (artigo 121, incisos III e IV, do CP)<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">III \u2013 com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">IV \u2013 \u00e0 trai\u00e7\u00e3o, de emboscada, ou mediante dissimula\u00e7\u00e3o ou outro recurso que dificulte ou torne imposs\u00edvel a defesa do ofendido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">No mesmo sentido \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o de:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Cezar Roberto Bitencourt:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">[\u2026] o pr\u00f3prio m\u00f3vel do crime \u00e9 o menosprezo ou a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher, mas \u00e9, igualmente, a vulnerabilidade da mulher tida, f\u00edsica e psicologicamente, como mais fr\u00e1gil, que encoraja a pr\u00e1tica da viol\u00eancia por homens covardes, na presum\u00edvel certeza de sua dificuldade em oferecer resist\u00eancia ao agressor machista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Alice Bianchini:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A qualificadora do feminic\u00eddio \u00e9 nitidamente subjetiva. Uma hip\u00f3tese: mulher usa minissaia. Por esse motivo f\u00e1tico o seu marido ou namorado a mata. E mata-a por uma motiva\u00e7\u00e3o aberrante, a de presumir que a mulher deve se submeter ao seu gosto ou aprecia\u00e7\u00e3o moral, como se dela ele tivesse posse, reificando-a, anulando-lhe op\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas ou morais, supondo que a mulher n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel contrariar as vontades do homem. Em motiva\u00e7\u00f5es equivalentes a essa h\u00e1 uma ofensa \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino. O sujeito mata em raz\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o do sexo feminino, ou do feminino exercendo, a seu gosto, um modo de ser feminino. Em raz\u00e3o disso, ou seja, em decorr\u00eancia unicamente disso. Seria uma qualificadora objetiva se dissesse respeito ao modo ou meio de execu\u00e7\u00e3o do crime.\u00a0<strong>A viol\u00eancia de g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 uma forma de execu\u00e7\u00e3o do crime; \u00e9, sim, sua raz\u00e3o, seu motivo.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 tamb\u00e9m a posi\u00e7\u00e3o de:\u00a0<strong>M\u00e1rcio Andr\u00e9<\/strong>\u00a0<strong>Lopes Cavalcante, Luiz Fl\u00e1vio Gomes, Rog\u00e9rio Sanches Cunha, Ronaldo Batista Pinto, Eduardo Luiz Santos Cabette<\/strong>\u00a0etc.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Conclus\u00f5es Pr\u00e1ticas da Primeira Posi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Sendo o feminic\u00eddio uma qualificadora subjetiva, haver\u00e1, impreterivelmente, tr\u00eas consequ\u00eancias:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">a) As qualificadoras subjetivas (artigo 121, incisos I, II, V, VI e VII) n\u00e3o se comunicam com os demais coautores ou part\u00edcipe no concurso de pessoas. As qualificadoras objetivas (artigo 121, incisos III e IV) comunicam-se, desde que ingressem na esfera de conhecimento dos envolvidos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">b)\u00a0<strong>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a qualificadora do feminic\u00eddio ser cumulada com o privil\u00e9gio do artigo 121, \u00a7 1.\u00ba, do C\u00f3digo Penal, ou seja, n\u00e3o existe feminic\u00eddio qualificado privilegiado, porque doutrina e a jurisprud\u00eancia dominante sempre admitiram, como regra, homic\u00eddio qualificado privilegiado, estabelecendo uma condi\u00e7\u00e3o; a qualificadora deve ser de natureza objetiva, pois o privil\u00e9gio descrito nos n\u00facleos t\u00edpicos do artigo 121, \u00a7 1.\u00ba, s\u00e3o todos subjetivos, algo que repele as qualificadoras da mesma natureza.<\/strong><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"color: #000000;\"><strong>Posi\u00e7\u00e3o do STF: <\/strong>A jurisprud\u00eancia do Supremo Tribunal Federal \u00e9 firme no sentido da possibilidade de homic\u00eddio privilegiado-qualificado, desde que n\u00e3o haja incompatibilidade entre as circunst\u00e2ncias do caso.\u00a0<strong>Noutro dizer, tratando-se de qualificadora de car\u00e1ter objetivo (meios e modos de execu\u00e7\u00e3o do crime), \u00e9 poss\u00edvel o reconhecimento do privil\u00e9gio (sempre de natureza subjetiva)\u00a0<\/strong>(HC 97.034\/MG).<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\"><strong>Posi\u00e7\u00e3o do <\/strong><strong>STJ:<\/strong>\u00a0Admite-se a figura do homic\u00eddio privilegiado-qualificado, sendo fundamental, no particular, a natureza das circunst\u00e2ncias.\u00a0<strong>N\u00e3o h\u00e1 incompatibilidade entre circunst\u00e2ncias subjetivas e objetivas<\/strong>, pelo que o motivo de relevante valor moral n\u00e3o constitui empe\u00e7o a que incida a qualificadora da surpresa (<em>RT<\/em> 680\/406).<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"color: #000000;\">c) As qualificadoras do feminic\u00eddio (natureza subjetiva) e as qualificadoras do motivo torpe e f\u00fatil (natureza subjetiva) n\u00e3o podem ser cumuladas, constituindo-se um verdadeiro\u00a0<em>bis in idem<\/em>a possibilidade de cumula\u00e7\u00e3o, uma vez que o desprez\u00edvel menosprezo \u00e0 condi\u00e7\u00e3o da mulher j\u00e1 \u00e9 um motivo abjeto, repugnante, torpe.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 tamb\u00e9m da 2.\u00aa C\u00e2mara Criminal do TJMG:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A cumula\u00e7\u00e3o da qualificadora referente \u00e0 futilidade do motivo do crime \u00e0quela do feminic\u00eddio configura o vedado\u00a0<em>bis in idem<\/em>, uma vez que, inobstante a exist\u00eancia de respeit\u00e1vel entendimento em sentido diverso, ambas s\u00e3o qualificadoras de natureza subjetiva, j\u00e1 que est\u00e3o ligadas \u00e0 motiva\u00e7\u00e3o do agente para a pr\u00e1tica delitiva (Recurso em Sentido Estrito 0028221-64.2015.8.13.0572 (1), 2.\u00aa C\u00e2mara Criminal do TJMG, Rel. Beatriz Pinheiro Caires. j. 22.09.2016, Publ. 03.10.2016).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>2.\u00aa POSI\u00c7\u00c3O:\u00a0A QUALIFICADORA DO FEMINIC\u00cdDIO \u00c9 OBJETIVA, PORTANTO, \u00c9 JURIDICAMENTE POSS\u00cdVEL A EXIST\u00caNCIA DE UM FEMINIC\u00cdDIO PRIVILEGIADO.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Nesse sentido:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Vicente de Paula Rodrigues Maggio.<\/strong>\u00a0Para o autor, com o advento da Lei 13.104\/2015, que incluiu mais uma qualificadora no crime de homic\u00eddio, cinco passam a ser as esp\u00e9cies de qualificadoras: 1) pelos motivos (incisos I a II \u2013 paga, promessa ou outro motivo torpe, e pelo motivo f\u00fatil); 2) meio empregado (inciso III \u2013 veneno, fogo, explosivo, asfixia etc.); 3) modo de execu\u00e7\u00e3o (inciso IV \u2013 trai\u00e7\u00e3o, emboscada, dissimula\u00e7\u00e3o etc.), 4) por conex\u00e3o (inciso V \u2013 para assegurar a execu\u00e7\u00e3o, a oculta\u00e7\u00e3o, a impunidade ou vantagem de outro crime); e, a novidade, 5) pelo sexo da v\u00edtima (inciso VI \u2013 contra a mulher por raz\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino).\u00a0<strong>Para Vicente Maggio, as qualificadoras previstas nos incisos III, IV e VI s\u00e3o objetivas.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Paulo Busato.<\/strong>\u00a0Para o autor, trata-se de\u00a0<strong>dado absolutamente objetivo,<\/strong>\u00a0<strong>equivocadamente inserido em disposi\u00e7\u00e3o que cuida de circunst\u00e2ncias de natureza subjetiva.<\/strong>\u00a0A partir dessas premissas, lan\u00e7a-se observa\u00e7\u00e3o acerca do motivo imediato, que pode qualificar o crime se aderente \u00e0s hip\u00f3teses do art. 121, \u00a7 2.\u00ba, incisos I, II e V, do C\u00f3digo Penal, quadro que n\u00e3o se confunde com a condi\u00e7\u00e3o de fato, ou seja, com o contexto objetivo, caracterizador do cen\u00e1rio legal de viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 a posi\u00e7\u00e3o das 1.\u00aa, 2.\u00aa, 3.\u00aa e 4.\u00aa Turmas Criminais do TJDFT (cf. TJDFT, Recurso em Sentido Estrito 20150310129458 (939432), 1.\u00aa Turma Criminal, Rel. Sandra de Santis, j. 06.05.2016,\u00a0<em>DJe<\/em>\u00a010.05.2016). Recurso da defesa n\u00e3o provido (TJDFT, RSE 20160310000568 (967751), 3.\u00aa Turma Criminal, Rel. Waldir Le\u00f4ncio C. Lopes J\u00fanior, j. 22.09.2016,\u00a0<em>DJe<\/em>\u00a028.09.2016).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>E tamb\u00e9m da 1.\u00aa C\u00e2mara Criminal do TJMG:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">As qualificadoras do feminic\u00eddio (natureza objetiva) e motivo torpe (natureza subjetiva) s\u00e3o distintas e aut\u00f4nomas, sendo poss\u00edvel o seu reconhecimento simult\u00e2neo, afastando-se, assim, o\u00a0<em>bis in idem<\/em>\u00a0(TJMG, Recurso em Sentido Estrito 2013983-98.2015.8.13.0024 (1), 1.\u00aa C\u00e2mara Criminal, Rel. Alberto Deodato Neto, j. 02.08.2016, un\u00e2nime, Publ. 12.08.2016).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Na mesma linha, vem decidindo o Superior Tribunal de Justi\u00e7a:<\/span><\/p>\n<ol>\n<li><span style=\"color: #000000;\">O Tribunal\u00a0<em>a quo <\/em>decidiu em conformidade com o entendimento desta Corte Superior, porquanto, tratando-se o motivo torpe (vingan\u00e7a contra ex-namorada) de qualificadora de natureza subjetiva, e o fato de a v\u00edtima e o acusado terem mantido relacionamento afetivo por anos,\u00a0<strong>sendo certo que o crime se deu com viol\u00eancia contra a mulher na forma da Lei n.\u00ba 11.340\/2006, ser uma agravante de cunho objetivo<\/strong>, n\u00e3o se pode falar em\u00a0<em>bis in idem<\/em>\u00a0no reconhecimento de ambas, de modo que n\u00e3o se vislumbra ilegalidade no ponto.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\"><strong>Nessa linha, trecho da decis\u00e3o monocr\u00e1tica proferida pelo Ministro Felix Fischer, REsp n.\u00ba 1.707.113\/MG (<\/strong><em><strong>DJ<\/strong><\/em><strong>12.2017), no qual destacou que, considerando as circunst\u00e2ncias subjetivas e objetivas, temos a possibilidade de coexist\u00eancia entre as qualificadoras do motivo torpe e do feminic\u00eddio. Isso porque a natureza do motivo torpe \u00e9 subjetiva, porquanto de car\u00e1ter pessoal, enquanto o feminic\u00eddio possui natureza objetiva, pois incide nos crimes praticados contra a mulher por raz\u00e3o do seu g\u00eanero feminino e\/ou sempre que o crime estiver atrelado \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar propriamente dita, assim o\u00a0<\/strong><em><strong>animus <\/strong><\/em><strong>do agente n\u00e3o \u00e9 objeto de an\u00e1lise<\/strong>. Agravo regimental n\u00e3o provido (AgRg no REsp 1741418\/SP, 5.\u00aa Turma, Min. Reynaldo Soares da Fonseca, j. 07.06.2018).<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Conclus\u00f5es Pr\u00e1ticas da Segunda Posi\u00e7\u00e3o]<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>a)\u00a0<\/strong>Sendo a qualificadora de feminic\u00eddio de natureza objetiva, \u00e9 poss\u00edvel coexistir com a qualificadora de motivo torpe ou f\u00fatil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>b)\u00a0<\/strong>Para essa posi\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel um \u201cfeminic\u00eddio qualificado privilegiado\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Filiamo-nos \u00e0 primeira corrente, portanto entendemos ser juridicamente imposs\u00edvel a configura\u00e7\u00e3o da tese do \u201cfeminic\u00eddio qualificado privilegiado\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>OS GRANDES ERROS DA SEGUNDA TESE<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em algumas hip\u00f3teses, defender que o feminic\u00eddio \u00e9 uma qualificadora objetiva seria interessante para fortalecer o combate \u00e0 morte de mulheres, pois seria poss\u00edvel cumular a qualificadora objetiva do feminic\u00eddio com o motivo torpe ou f\u00fatil, que s\u00e3o subjetivas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Assim, ter\u00edamos um feminic\u00eddio cumulado com motivo torpe.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 assim que vem decidindo o STJ:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Nos termos do art. 121, \u00a7 2.\u00ba-A, II, do CP, \u00e9 devida a incid\u00eancia da qualificadora do feminic\u00eddio nos casos em que o delito \u00e9 praticado contra mulher em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, possuindo, portanto, natureza de ordem objetiva, o que dispensa a an\u00e1lise do\u00a0<em>animus<\/em>\u00a0do agente. Assim, n\u00e3o h\u00e1 se falar em ocorr\u00eancia de\u00a0<em>bis in idem<\/em>\u00a0no reconhecimento das qualificadoras do motivo torpe e do feminic\u00eddio, porquanto, a primeira tem natureza subjetiva e a segunda objetiva. Agravo regimental improvido (AgRg no HC 440945\/MG, 6.\u00aa Turma, Min. Nefi Cordeiro, j. 05.06.2018).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>A segunda tese revela dois grandes erros, a saber:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Primeiro:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Torpe \u00e9 o motivo baixo, abjeto, desprez\u00edvel, repugnante, vil, ign\u00f3bil, que repugna a coletividade. Pergunta-se: matar uma mulher por raz\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino, motivado pelo menosprezo ou discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher, n\u00e3o \u00e9 algo repugnante, vil, ign\u00f3bil ou repugnante?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Entendo que sim. Portanto, o feminic\u00eddio traz em sua ess\u00eancia o conceito de torpeza, caracterizando-se um verdadeiro\u00a0<em>bis in idem\u00a0<\/em>a cumula\u00e7\u00e3o das duas qualificadoras, feminic\u00eddio mais a torpeza.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Segundo:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>O concurso entre causa especial de diminui\u00e7\u00e3o de pena (homic\u00eddio privilegiado, artigo 121, \u00a7 1.\u00ba) e as qualificadoras objetivas, que se referem aos meios e modos de execu\u00e7\u00e3o do homic\u00eddio, \u00e9 aceito pela doutrina majorit\u00e1ria e pela jurisprud\u00eancia do STF e STJ.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Dessarte, ao defender que o feminic\u00eddio \u00e9 uma qualificadora objetiva, abre-se o temer\u00e1rio espa\u00e7o para apresenta\u00e7\u00e3o da tese de que o agente cometeu o feminic\u00eddio impelido por motivo de relevante valor moral, ou sob o dom\u00ednio de violenta emo\u00e7\u00e3o, logo em seguida \u00e0 injusta provoca\u00e7\u00e3o da v\u00edtima.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 a inaceit\u00e1vel e maquiav\u00e9lica consolida\u00e7\u00e3o do:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u201cFeminic\u00eddio privilegiado: o privil\u00e9gio de matar mulheres\u201d.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>UMA SOLU\u00c7\u00c3O POSS\u00cdVEL<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Para unificar as posi\u00e7\u00f5es divergentes demandar\u00e1 muito tempo, ainda mais com a preval\u00eancia em nossa doutrina do garantismo penal condoreiro monopolar. Facilmente podemos prever que em pouco tempo ser\u00e1 dominante a tese do \u201cfeminic\u00eddio privilegiado\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O chamado garantismo penal condoreiro monopolar, ou seja, doutrina que patrocina uma prote\u00e7\u00e3o exagerada e desproporcional ao r\u00e9u na rela\u00e7\u00e3o penal processual, e que hoje contamina grande parte da doutrina brasileira, logo far\u00e1 a apressada filia\u00e7\u00e3o do feminic\u00eddio privilegiado, causando o usual fen\u00f4meno da viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da prote\u00e7\u00e3o penal deficiente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Cleber Masson, em cita\u00e7\u00e3o \u00e0 li\u00e7\u00e3o de Paulo de Queiroz, assinala:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Conv\u00e9m notar, todavia, que o princ\u00edpio da proporcionalidade compreende, al\u00e9m da proibi\u00e7\u00e3o do excesso, a proibi\u00e7\u00e3o de insufici\u00eancia da interven\u00e7\u00e3o jur\u00eddico-penal. Significa dizer que, se, por um lado, deve ser combatida a san\u00e7\u00e3o desproporcional porque excessiva, por outro lado, cumpre tamb\u00e9m evitar a resposta penal que fique muito aqu\u00e9m do seu efetivo merecimento, dado o seu grau de ofensividade e significa\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-criminal, afinal a despropor\u00e7\u00e3o tanto pode dar-se para mais quanto para menos.<span style=\"color: #ff6600;\"><em><strong><a style=\"color: #ff6600;\" href=\"http:\/\/genjuridico.com.br\/2019\/04\/05\/feminicidio-privilegiado-o-privilegio-de-matar-mulheres\/#_ftn5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">[5]<\/a><\/strong><\/em><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">No Brasil, al\u00e9m de n\u00e3o dispormos de um potencial legislativo eficaz para combater a ascendente criminalidade, temos que conviver com os exageros garantistas, como bem anotam Am\u00e9rico Bed\u00ea J\u00fanior e Gustavo Senna:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O exagero garantista, no sentido de que a \u201cdefesa tudo pode\u201d, \u00e9 t\u00e3o gritante que chega a ponto de ensejar decis\u00f5es inacredit\u00e1veis, que acabam fomentando comportamentos maliciosos, criminosos e desonestos dos r\u00e9us no processo penal, desde que n\u00e3o venham a atingir os interesses de particulares, em uma vis\u00e3o individualista e \u2013\u00a0<em>data venia<\/em> \u2013 ultrapassada de um processo penal verdadeiramente democr\u00e1tico e garantista<span style=\"color: #3366ff;\"><span style=\"color: #000000;\">.<\/span><\/span><span style=\"color: #ff6600;\"><strong><a style=\"color: #ff6600;\" href=\"http:\/\/genjuridico.com.br\/2019\/04\/05\/feminicidio-privilegiado-o-privilegio-de-matar-mulheres\/#_ftn6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>[6]<\/em><\/a><\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Prevendo o que pode ocorrer em um futuro breve, a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel para que matar mulher por raz\u00f5es de g\u00eanero n\u00e3o seja um fato fomentador de privil\u00e9gio,\u00a0<strong>defendo que o feminic\u00eddio deve ser retirado da qualificadora do homic\u00eddio e se tornar um crime aut\u00f4nomo com pena igual a do latroc\u00ednio, a saber:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Crime de feminic\u00eddio<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Art. 121-A. Matar mulher motivado por raz\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Pena \u2013 reclus\u00e3o, de vinte a trinta anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u00a71.\u00ba Considera-se que h\u00e1 raz\u00f5es de condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino quando o crime envolve:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">I \u2013 viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">II \u2013 menosprezo ou discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Revogam-se o inciso VI e o \u00a7 2.\u00ba-A\u00a0do artigo 121 do C\u00f3digo Penal\u201d (BARROS, 2019, p. 1).<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"color: #000000;\">De qualquer modo, fazemos as ressalvas de n\u00e3o estarmos totalmente convencidos de ser poss\u00edvel, compatibilizar qualificadora de feminic\u00eddio em rela\u00e7\u00e3o ao privil\u00e9gio, pela singularidade em si da mat\u00e9ria, m\u00e1xime por estarmos inclinados de que a qualificadora de feminic\u00eddio seria de \u00edndole subjetiva<span style=\"color: #3366ff;\">[10] <\/span>\u2013 e n\u00e3o objetiva, \u201cdat\u00edssima m\u00e1xima v\u00eania\u201d como a maioria da doutrina tem pregado, e, o STJ chancelado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Das considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Caminhando para o desfecho, entendemos que o marido, convivente, namorado e amasiado que mata dolosamente (ou tenta matar) a esposa por ci\u00fame, pratica necessariamente um feminic\u00eddio, mormente quando se visualiza \u00e0 dic\u00e7\u00e3o do art. 5\u00ba e art. 7\u00ba, ambos da Lei Maria da Penha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Por fim, encerramos com as ressalvas de que n\u00e3o estamos totalmente convencidos de ser poss\u00edvel, compatibilizar qualificadora de feminic\u00eddio em rela\u00e7\u00e3o ao privil\u00e9gio, pela singularidade em si da mat\u00e9ria, m\u00e1xime por estarmos inclinados de que a qualificadora de feminic\u00eddio seria de natureza subjetiva \u2013 e n\u00e3o objetiva, como, a maioria da doutrina e o STJ t\u00eam firmado posicionamento, lembrando que para corrente que defender a <strong>qualificadora do feminic\u00eddio ser de ordem objetiva, estar\u00e1 dizendo que juridicamente \u00e9 poss\u00edvel a exist\u00eancia de um feminic\u00eddio privilegiado. Obviamente, de outro lado, quem comungar do nosso entendimento, onde a qualificadora do feminic\u00eddio seja reputada de ordem subjetiva, estar\u00e1 dizendo juridicamente que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a exist\u00eancia de um feminic\u00eddio privilegiado, pela incompatibilidade.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas:<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">BARROS, <span style=\"color: #3366ff;\"><a style=\"color: #3366ff;\" href=\"http:\/\/genjuridico.com.br\/franciscodirceubarros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Francisco Dirceu<\/a><\/span>.<strong>Feminic\u00eddio\u00a0 Privilegiado: O\u00a0 Privil\u00e9gio\u00a0 de\u00a0 Matar Mulheres. <\/strong>Publicado em <em>05.abr.2019 <\/em>no site GenJur\u00eddico.com.br. Dispon\u00edvel em &lt;&lt;<span style=\"color: #3366ff;\"><a style=\"color: #3366ff;\" href=\"http:\/\/genjuridico.com.br\/2019\/04\/05\/feminicidio-privilegiado-o-privilegio-de-matar-mulheres\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/genjuridico.com.br\/2019\/04\/05\/feminicidio-privilegiado-o-privilegio-de-matar-mulheres\/<\/a><\/span>&gt;&gt;. Acesso em 07 de julho de 2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">CUNHA, Rog\u00e9rio Sanches. <strong>STJ: Qualificadora do feminic\u00eddio tem natureza objetiva.<\/strong> Publicado no Meusitejuridico.com. Dispon\u00edvel em:&lt;&lt;<span style=\"color: #3366ff;\"><a style=\"color: #3366ff;\" href=\"https:\/\/meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br\/2018\/04\/05\/stj-qualificadora-feminicidio-tem-natureza-objetiva\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br\/2018\/04\/05\/stj-qualificadora-feminicidio-tem-natureza-objetiva\/<\/a><\/span>&gt;&gt;. Acesso em 07 de julho de 2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">NUCCI, Guilherme de Souza. Curso de Direito Penal. Parte Especial. Volume 2. Rio de Janeiro: Forense, 2017, p. 46\/47.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">STJ &#8211; AgRg no AREsp 363.919\/PR, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 13\/05\/2014, DJe 21\/05\/2014.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">STJ &#8211; REsp 1.707.113\/MG, de Relatoria do Ministro Felix Fischer, publicado no dia 7.12.2017.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">STJ. Habeas Corpus n\u00ba 430.222\/MG, julgado em 15\/03\/2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">STJ. 6\u00aa Turma. HC 433.898-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24\/04\/2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">TJDFT. Ac\u00f3rd\u00e3o n.904781, 20150310069727RSE, Relator: GEORGE LOPES LEITE, 1\u00aa Turma Criminal, Data de Julgamento: 29\/10\/2015, Publicado no DJE: 11\/11\/2015. P\u00e1g.: 105.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">TJ-RO &#8211; APL: 00003355920168220005 RO 0000335-59.2016.822.0005, Relator: Desembargador Valdeci CastellarCiton, Data de Julgamento: 09\/11\/2016, 2\u00aa C\u00e2mara Criminal, Data de Publica\u00e7\u00e3o: Processo publicado no Di\u00e1rio Oficial em 17\/11\/2016.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Notas<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #3366ff;\">[1] T\u00edtulo <\/span><\/span><span style=\"color: #000000;\"><strong>Quanto ao <\/strong><strong>marido, convivente, namorado* e amasiado, partiremos da premissa de que STJ j\u00e1 deliberou que nessas hip\u00f3teses de fatos ocorridos em \u00e2mbito dom\u00e9stico e familiar, em face de sua consorte (com as demais vari\u00e1veis do estado civil), estaremos diante da Lei Maria da Penha.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #3366ff;\">[2]<\/span> Quanto ao ci\u00fame, a atual jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a diz que: \u201cO sentimento de ci\u00fame pode tanto inserir-se na qualificadora do inciso I ou II do par\u00e1grafo 2\u00ba , ou mesmo no privil\u00e9gio do par\u00e1grafo primeiro, ambos do art. 121 do CP, an\u00e1lise feita concretamente, caso a caso\u201d (STJ &#8211; AgRg no AREsp 363.919\/PR, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 13\/05\/2014, DJe 21\/05\/2014).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #3366ff;\">[3]<\/span> Homic\u00eddio simples<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Art. 121. Matar algu\u00e9m:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Pena &#8211; reclus\u00e3o, de seis a vinte anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">(&#8230;)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u00a7<\/span><strong style=\"color: #000000;\">2\u00ba Se o homic\u00eddio \u00e9 cometido:<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Feminic\u00eddio<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>VI &#8211; contra a mulher por raz\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>(&#8230;)<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de doze a trinta anos.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #3366ff;\">[4]<\/span> O festejado penalista, Guilherme de Souza Nucci, enfrentando o feminic\u00eddio pontua que se trata de \u201cuma qualificadora objetiva, pois se liga ao g\u00eanero da v\u00edtima: ser mulher\u201d, advertindo que \u201co agente n\u00e3o mata a mulher somente porque ela \u00e9 mulher, mas o faz por \u00f3dio, raiva, ci\u00fame, disputa familiar, prazer, sadismo, enfim, por motivos variados que podem ser torpes ou f\u00fateis; podem, inclusive, ser moralmente relevantes\u2019, n\u00e3o se descartando, \u2018por \u00f3bvio, a possibilidade de o homem matar a mulher por quest\u00f5es de misoginia ou viol\u00eancia dom\u00e9stica; mesmo assim, a viol\u00eancia dom\u00e9stica e a misoginia proporcionam aos homens o prazer de espancar e matar a mulher, porque esta \u00e9 fisicamente mais fraca\u2019, tratando-se de \u2018viol\u00eancia de g\u00eanero, o que nos parece objetivo, e n\u00e3o subjetivo\u201d (NUCCI, Guilherme de Souza. Curso de Direito Penal. Parte Especial. Volume 2. Rio de Janeiro: Forense, 2017, p. 46\/47).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #3366ff;\">[5]<\/span> No julgamento do <em>Habeas Corpus<\/em> n\u00ba 430.222\/MG, julgado em 15\/03\/2018, a Corte de Cidadania negou a ordem de soltura sob \u2013 dentre outros \u2013 o argumento de que as qualificadoras do motivo torpe e do feminic\u00eddio n\u00e3o s\u00e3o incompat\u00edveis porque n\u00e3o t\u00eam a mesma natureza: enquanto a primeira \u00e9 subjetiva, esta \u00faltima (feminic\u00eddio) \u00e9 dotada de car\u00e1ter objetiva.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #3366ff;\">[6]<\/span> QUALIFICADORA \u2013 FEMINIC\u00cdDIO \u2013 NATUREZA OBJETIVA (TJDFT) 1 R\u00e9u pronunciado por infringir o artigo 121, \u00a7 2\u00ba, inciso I, do C\u00f3digo Penal, depois de matar a companheira a facadas motivado pelo sentimento ego\u00edstico de posse. 2 Os protagonistas da trag\u00e9dia familiar conviveram sob o mesmo teto, em uni\u00e3o est\u00e1vel, mas o var\u00e3o nutria sentimento ego\u00edstico de posse e, impelido por essa torpe motiva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o queria que ela trabalhasse num local frequentado por homens. A inclus\u00e3o da qualificadora agora prevista no artigo 121, \u00a7 2\u00ba, inciso VI, do C\u00f3digo Penal, n\u00e3o poder\u00e1 servir apenas como substitutivo das qualificadoras de motivo torpe ou f\u00fatil, que s\u00e3o de natureza subjetiva, sob pena de menosprezar o esfor\u00e7o do legislador. A Lei 13.104\/2015 veio a lume na esteira da doutrina inspiradora da Lei Maria da Penha, buscando conferir maior prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher brasileira, v\u00edtima de condi\u00e7\u00f5es culturais at\u00e1vicas que lhe impuseram a subservi\u00eancia ao homem. Resgatar a dignidade perdida ao longo da hist\u00f3ria da domina\u00e7\u00e3o masculina foi a ratio essendi da nova lei, e o seu sentido teleol\u00f3gico estaria perdido se fosse simplesmente substitu\u00edda a torpeza pelo feminic\u00eddio. Ambas as qualificadoras podem coexistir perfeitamente, porque \u00e9 diversa a natureza de cada uma: a torpeza continua ligada umbilicalmente \u00e0 motiva\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o homicida, e o feminic\u00eddio ocorrer\u00e1 toda vez que, objetivamente, haja uma agress\u00e3o \u00e0 mulher proveniente de conviv\u00eancia dom\u00e9stica familiar. (TJDFT. Ac\u00f3rd\u00e3o n.904781, 20150310069727RSE, Relator: GEORGE LOPES LEITE, 1\u00aa Turma Criminal, Data de Julgamento: 29\/10\/2015, Publicado no DJE: 11\/11\/2015. P\u00e1g.: 105).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #3366ff;\">[7]<\/span> Apela\u00e7\u00e3o criminal. Feminic\u00eddio. Tentativa. Nulidade do julgamento. Exclus\u00e3o das qualificadoras. Motivo f\u00fatil. Recurso que dificultou a defesa da v\u00edtima. Impossibilidade. Soberania do j\u00fari. Dosimetria. Discricionariedade do juiz. Exaspera\u00e7\u00e3o justificada. Descabe a exclus\u00e3o da qualificadora de motivo f\u00fatil quando comprovado nos autos que o crime de feminic\u00eddio foi motivado por ci\u00fames e pela inten\u00e7\u00e3o da v\u00edtima de romper o relacionamento conjugal. Caracteriza a qualificadora do recurso que dificultou a defesa da v\u00edtima o ato de o agente surpreend\u00ea-la, em meio a uma discuss\u00e3o rotineira, e persegu\u00ed-la, reduzindo sua capacidade de defesa ao imobiliz\u00e1-la aproveitando-se de sua superioridade f\u00edsica. N\u00e3o h\u00e1 que se falar em decis\u00e3o manifestamente contr\u00e1ria \u00e0 prova dos autos quando existente vers\u00e3o coerente e consent\u00e2nea com os meios de provas existentes nos autos. \u00c9 l\u00edcita a fixa\u00e7\u00e3o da pena acima do m\u00ednimo legal quando fundada na correta valora\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias judiciais, com fundamento concreto em elementos observados nos autos e uso de uma das qualificadoras para aumento da pena-base, tendo o Ju\u00edzo a quo apontado clara e precisamente os motivos para a escolha do patamar fixado, conforme lhe permite a discricionariedade. (Apela\u00e7\u00e3o, Processo n\u00ba 0000335- 59.2016.822.0005, Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de Rond\u00f4nia, 2\u00aa C\u00e2mara Criminal, Relator (a) do Ac\u00f3rd\u00e3o: Des. Valdeci CastellarCiton, Data de julgamento: 09\/11\/2016)(TJ-RO &#8211; APL: 00003355920168220005 RO 0000335-59.2016.822.0005, Relator: Desembargador Valdeci CastellarCiton, Data de Julgamento: 09\/11\/2016, 2\u00aa C\u00e2mara Criminal, Data de Publica\u00e7\u00e3o: Processo publicado no Di\u00e1rio Oficial em 17\/11\/2016).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #3366ff;\">[8]<\/span> <strong>Art. 5\u00ba<\/strong>\u00a0Para os efeitos desta Lei, configura viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher qualquer a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o baseada no g\u00eanero que lhe cause morte, les\u00e3o, sofrimento f\u00edsico, sexual ou psicol\u00f3gico e dano moral ou patrimonial: (Vide Lei complementar n\u00ba 150, de 2015)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>I\u00a0<\/strong>&#8211; no \u00e2mbito da unidade dom\u00e9stica, compreendida como o espa\u00e7o de conv\u00edvio permanente de pessoas, com ou sem v\u00ednculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>II\u00a0<\/strong>&#8211; no \u00e2mbito da fam\u00edlia, compreendida como a comunidade formada por indiv\u00edduos que s\u00e3o ou se consideram aparentados, unidos por la\u00e7os naturais, por afinidade ou por vontade expressa;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>III\u00a0<\/strong>&#8211; em qualquer rela\u00e7\u00e3o \u00edntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabita\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Par\u00e1grafo \u00fanico<\/strong>. As rela\u00e7\u00f5es pessoais enunciadas neste artigo independem de orienta\u00e7\u00e3o sexual.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #3366ff;\">[9]<\/span> <strong>CAP\u00cdTULO II<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>DAS FORMAS DE VIOL\u00caNCIA DOM\u00c9STICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10868703\/art-7-da-lei-maria-da-penha-lei-11340-06\"><strong>Art. 7\u00ba<\/strong><\/a>\u00a0S\u00e3o formas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher, entre outras:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10868666\/art-7-inc-i-da-lei-maria-da-penha-lei-11340-06\"><strong>I\u00a0<\/strong><\/a>&#8211; a viol\u00eancia f\u00edsica, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou sa\u00fade corporal;\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10868630\/art-7-inc-ii-da-lei-maria-da-penha-lei-11340-06\"><strong>II\u00a0<\/strong><\/a>&#8211; a viol\u00eancia psicol\u00f3gica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminui\u00e7\u00e3o da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas a\u00e7\u00f5es, comportamentos, cren\u00e7as e decis\u00f5es, mediante amea\u00e7a, constrangimento, humilha\u00e7\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o, isolamento, vigil\u00e2ncia constante, persegui\u00e7\u00e3o contumaz, insulto, chantagem, viola\u00e7\u00e3o de sua intimidade, ridiculariza\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o e limita\u00e7\u00e3o do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause preju\u00edzo \u00e0 sa\u00fade psicol\u00f3gica e \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o; (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n\u00ba 13.772, de 2018)\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10868587\/art-7-inc-iii-da-lei-maria-da-penha-lei-11340-06\"><strong>III\u00a0<\/strong><\/a>&#8211; a viol\u00eancia sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o desejada, mediante intimida\u00e7\u00e3o, amea\u00e7a, coa\u00e7\u00e3o ou uso da for\u00e7a; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impe\u00e7a de usar qualquer m\u00e9todo contraceptivo ou que a force ao matrim\u00f4nio, \u00e0 gravidez, ao aborto ou \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o, mediante coa\u00e7\u00e3o, chantagem, suborno ou manipula\u00e7\u00e3o; ou que limite ou anule o exerc\u00edcio de seus direitos sexuais e reprodutivos<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10868543\/art-7-inc-iv-da-lei-maria-da-penha-lei-11340-06\"><strong>IV\u00a0<\/strong><\/a>&#8211; a viol\u00eancia patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure reten\u00e7\u00e3o, subtra\u00e7\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econ\u00f4micos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10868497\/art-7-inc-v-da-lei-maria-da-penha-lei-11340-06\"><strong>V\u00a0<\/strong><\/a>&#8211; a viol\u00eancia moral, entendida como qualquer conduta que configure cal\u00fania, difama\u00e7\u00e3o ou inj\u00faria.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #3366ff;\">[10] <\/span><strong>Lembrando que o feminic\u00eddio \u00e9 homic\u00eddio cometido por motiva\u00e7\u00f5es relacionadas, obviamente, \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher (sexo feminino), n\u00e3o existindo em nosso sentir, liame com os meios ou modos de execu\u00e7\u00e3o do crime. Outrossim, a viol\u00eancia dom\u00e9stica, familiar e tamb\u00e9m o pr\u00f3prio menosprezo ou discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher s\u00e3o ingredientes contidos na legisla\u00e7\u00e3o para ocorrer o feminic\u00eddio, n\u00e3o consistem em formas de execu\u00e7\u00e3o do crime, mas propriamente a real motiva\u00e7\u00e3o delitiva. Logo, o feminic\u00eddio <\/strong><strong>nessa linha de racioc\u00ednio, \u00e9 uma qualificadora de ordem subjetiva.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Sobre o autor:\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dr.-joaquim-leit\u00e3o-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-10666\" src=\"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dr.-joaquim-leit\u00e3o-1.jpg\" alt=\"\" width=\"308\" height=\"236\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">O <strong>Dr. Joaquim Leit\u00e3o J\u00fanior<\/strong> \u00e9 Delegado de Pol\u00edcia no Estado de Mato Grosso, atualmente Assessor Institucional e Coordenador da Assessoria Jur\u00eddica da Diretoria da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria Civil do Estado de Mato Grosso. P\u00f3s-graduado em Ci\u00eancias Penais pela rede de ensino Luiz Fl\u00e1vio Gomes (LFG) em parceria com Universidade de Santa Catarina (UNISUL). P\u00f3s-graduado em Gest\u00e3o Municipal pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e pela Universidade Aberta do Brasil. Colunista no site Justi\u00e7a e Pol\u00edcia, coautor de obra jur\u00eddica e autor de artigos jur\u00eddicos.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma discuss\u00e3o travada na doutrina e jurisprud\u00eancia, se a morte produzida pelo ci\u00fame[2] de marido de maneira dolosa, em face da esposa poderia acumular com a qualificadora de motivo torpe e ao mesmo tempo ser feminic\u00eddio[3]. Essa discuss\u00e3o se desdobra em v\u00e1rios pontos, nos quais ilustraremos adiante para melhor compreens\u00e3o: se o feminic\u00eddio \u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":505,"featured_media":11200,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[19,20],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11194"}],"collection":[{"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/505"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11194"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11194\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11200"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11194"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11194"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}