{"id":16574,"date":"2023-03-20T11:20:59","date_gmt":"2023-03-20T15:20:59","guid":{"rendered":"http:\/\/amdepol.org\/sindepo\/?p=16574"},"modified":"2023-03-20T11:31:13","modified_gmt":"2023-03-20T15:31:13","slug":"reconhecimento-e-verbal-overshadowing","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/2023\/03\/reconhecimento-e-verbal-overshadowing\/","title":{"rendered":"RECONHECIMENTO E \u201cVERBAL OVERSHADOWING\u201d"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>RECONHECIMENTO E \u201cVERBAL OVERSHADOWING\u201d<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Autor: Eduardo Luiz Santos Cabette, Delegado de Pol\u00edcia aposentado, Mestre em Direito Social, P\u00f3s \u2013 graduado em Direito Penal e Criminologia e Professor de Direito Penal, Processo Penal, Criminologia, Medicina Legal e Legisla\u00e7\u00e3o Penal e Processual Penal Especial em gradua\u00e7\u00e3o, p\u00f3s \u2013 gradua\u00e7\u00e3o e cursos preparat\u00f3rios.<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Autora: Bianca Cristine Pires dos Santos Cabette, Advogada, P\u00f3s \u2013 graduada em Direito P\u00fablico, P\u00f3s \u2013 graduada em Direito Civil e Processo Civil e Acad\u00eamica de Psicologia na Faculdade Serra Dourada.<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O reconhecimento \u00e9 um meio de prova cujo procedimento \u00e9 regulado nos artigos 226 a 228, CPP.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Todos os procedimentos determinados na legisla\u00e7\u00e3o processual penal para a realiza\u00e7\u00e3o do ato de reconhecimento s\u00e3o de extrema import\u00e2ncia para que a dilig\u00eancia seja realizada com o m\u00ednimo de equ\u00edvocos e\/ou direcionamento parcial. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Houve \u00e9poca em que, incrivelmente, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a e tamb\u00e9m o Supremo Tribunal Federal entendiam que as regras do C\u00f3digo de Processo Penal para o reconhecimento eram meramente formais e com car\u00e1ter de sugest\u00e3o, de modo que sua infra\u00e7\u00e3o n\u00e3o gerava nulidade do ato. <a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\"><sup>1<\/sup><\/a> Esse entendimento absolutamente apartado da melhor t\u00e9cnica jur\u00eddica e cient\u00edfica foi felizmente reformulado. <a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\"><sup>2<\/sup><\/a> As regras do reconhecimento dispostas no C\u00f3digo de Processo Penal n\u00e3o s\u00e3o formalidades est\u00e9reis, mas <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>formas \u2013 garantia<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> para a credibilidade do ato.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A primeira formalidade exigida no ato do reconhecimento \u00e9 que a pessoa que o far\u00e1 dever\u00e1 descrever anteriormente a pessoa a ser reconhecida (artigo 226, I, CPP). <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Conforme leciona Bonfim: <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00c9 evidente que a pessoa que ir\u00e1 identificar a coisa ou objeto dever\u00e1 conhecer previamente a coisa ou pessoa que ser\u00e1 reconhecida. O reconhecimento implica a identifica\u00e7\u00e3o da coisa ou pessoa apresentada com uma representa\u00e7\u00e3o ps\u00edquica que dela se faz. Por isso, antes que tenha contato com o objeto do reconhecimento<\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">, <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">aquele que tiver de praticar esse reconhecimento dever\u00e1 descrever a pessoa ou coisa que sup\u00f5e lhe ser\u00e1 apresentada. <a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote3sym\" name=\"sdfootnote3anc\"><sup>3<\/sup><\/a><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">De nossa parte sempre entendemos salutar essa pr\u00e9via descri\u00e7\u00e3o por duas raz\u00f5es b\u00e1sicas: 1)Comprovar que o reconhecedor tem realmente algum pr\u00e9vio conhecimento da pessoa ou objeto a ser reconhecido e qual o grau de efic\u00e1cia e confiabilidade desse conhecimento para viabilizar um reconhecimento seguro; 2)Poder avaliar o reconhecimento feito \u201ca posteriori\u201d em cotejo com a descri\u00e7\u00e3o inicial, verificando coer\u00eancia ou incoer\u00eancia e, consequentemente, a maior ou menor for\u00e7a de convencimento da prova obtida mediante o ato de reconhecimento. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">No entanto, dos estudos de Psicologia em interdisciplinaridade com o Direito Processual Penal, tem surgido um forte questionamento quanto \u00e0 conveni\u00eancia da descri\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, tendo em vista a constata\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno que se denominou de \u201cverbal overshadowing\u201d (\u201cofuscamento verbal\u201d). Aponta-se que as descri\u00e7\u00f5es feitas pelo pr\u00f3prio reconhecedor reduzem a precis\u00e3o da sua mem\u00f3ria. <a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote4sym\" name=\"sdfootnote4anc\"><sup>4<\/sup><\/a><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Essa conclus\u00e3o cient\u00edfica pode ser tachada de \u201ccontraintuitiva\u201d, mas diversos experimentos controlados apontam que a tentativa de descrever uma fisionomia ou caracter\u00edsticas f\u00edsicas de algu\u00e9m previamente, pode ser prejudicial ao rendimento da mem\u00f3ria visual posterior, pelo menos em algumas circunst\u00e2ncias. <a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote5sym\" name=\"sdfootnote5anc\"><sup>5<\/sup><\/a> <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O experimento mais divulgado sobre a quest\u00e3o do \u201cofuscamento verbal\u201d foi realizado com a apresenta\u00e7\u00e3o de um v\u00eddeo de um roubo a banco. As pessoas foram divididas em dois grupos, um deles foi solicitado a fazer a descri\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do assaltante e o outro n\u00e3o. No seguimento todos foram levados para fazer o reconhecimento do homem retratado como assaltante no v\u00eddeo. Constatou-se uma queda na precis\u00e3o da identifica\u00e7\u00e3o da ordem de 25 % com rela\u00e7\u00e3o ao grupo que verbalizou a descri\u00e7\u00e3o antes do reconhecimento. Houve mais erros das pessoas do grupo instado \u00e0 descri\u00e7\u00e3o verbal pr\u00e9via do que das pessoas que n\u00e3o fizeram descri\u00e7\u00e3o antecedente. <a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote6sym\" name=\"sdfootnote6anc\"><sup>6<\/sup><\/a><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Concluem os pesquisadores que isso se d\u00e1 devido a um mecanismo de \u201crecoding interference\u201d (\u201cinterfer\u00eancia de recodifica\u00e7\u00e3o\u201d). A verbaliza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria visual pode criar uma representa\u00e7\u00e3o ps\u00edquica enviesada, a qual pode prejudicar a capacidade de identifica\u00e7\u00e3o da fisionomia original vista pelo reconhecedor. \u00c9 como se o esfor\u00e7o descritivo criasse uma segunda mem\u00f3ria que se sobrep\u00f5e \u00e0 mem\u00f3ria original, causando confus\u00e3o. <a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote7sym\" name=\"sdfootnote7anc\"><sup>7<\/sup><\/a><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Como explica Marmelstein: <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">(&#8230;), \u00e9 poss\u00edvel que, em contextos reais, uma testemunha que seja solicitada a descrever as caracter\u00edsticas f\u00edsicas de uma pessoa tenha a sua habilidade de reconhecimento prejudicada em um reconhecimento visual subsequente. Possivelmente, as descri\u00e7\u00f5es verbais antecedentes produzem uma interfer\u00eancia de recodifica\u00e7\u00e3o, tornando as representa\u00e7\u00f5es visuais menos precisas, al\u00e9m de induzir a um processamento mais fragmentado, com redu\u00e7\u00e3o da capacidade de identifica\u00e7\u00e3o facial. <a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote8sym\" name=\"sdfootnote8anc\"><sup>8<\/sup><\/a><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">E mais especificamente: <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Caso a mem\u00f3ria baseada na verbaliza\u00e7\u00e3o contenha elementos imprecisos, pode ocorrer tamb\u00e9m o efeito de desinforma\u00e7\u00e3o: a descri\u00e7\u00e3o autogerada com erros poder\u00e1 preponderar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria visual ver\u00eddica. Assim, a testemunha ter\u00e1 menos chance de identificar o alvo correto em um <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>lineup<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">, podendo indicar algum suspeito inocente que se aproxime das caracter\u00edsticas descritas verbalmente, mesmo que sejam falhas. <a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote9sym\" name=\"sdfootnote9anc\"><sup>9<\/sup><\/a><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Fato \u00e9 que, conforme v\u00eam atualmente decidindo de maneira correta nossos Tribunais Superiores, as formalidades do reconhecimento previstas nos artigos 226 a 228, CPP s\u00e3o garantidoras de uma dilig\u00eancia minimamente segura e com capacidade de evitar erros inconscientes de v\u00edtimas e testemunhas. Mas, quanto \u00e0 quest\u00e3o da pr\u00e9via descri\u00e7\u00e3o da pessoa a ser reconhecida, ser\u00e1 que diante dessas descobertas da \u00e1rea da Psicologia seria interessante a retirada do ato do rol legal? Ser\u00e1 que os perigos de indu\u00e7\u00e3o ps\u00edquica a erro sobrelevam as vantagens da descri\u00e7\u00e3o pr\u00e9via? Eis uma quest\u00e3o que se prop\u00f5e aos estudiosos do Direito Processual Penal Brasileiro e ao Poder Legislativo. H\u00e1 que fazer uma pondera\u00e7\u00e3o cuidadosa das vantagens e desvantagens do ato de descri\u00e7\u00e3o verbal pr\u00e9via e tomar uma decis\u00e3o madura e equilibrada quanto \u00e0 sua manuten\u00e7\u00e3o ou elimina\u00e7\u00e3o do procedimento legal de reconhecimento de pessoas e coisas. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">REFER\u00caNCIAS<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">BONFIM, Edilson Mougenot. <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Curso de Processo Penal<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">. 11\u00aa. ed. <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span lang=\"en-US\">S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2016. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"sdfootnote\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">MARMELSTEIN, George. <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Testemunhando a Injusti\u00e7a: a ci\u00eancia da prova testemunhal e das injusti\u00e7as inconscientes<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">. <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span lang=\"en-US\">S\u00e3o Paulo: Juspodivm, 2022. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span lang=\"en-US\">MEISSNER, Cristian A., SPORER, Siegfried L. , SCHOOLER, Jonathan W. Person descriptions as eyewitness evidence. In: LINDSAY, Rod C. L. \u201cet al.\u201d (Ed.). <\/span><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span lang=\"en-US\"><i>The Handbook of Eyewitness Psychology: Memory for people. <\/i><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span lang=\"en-US\">Volume II. London: Psychology Press, 2013. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span lang=\"en-US\">POHL, R\u00fcdiger F. Labelling and Overshadowing Effects. In: POHOL, R\u00fcdiger F. (Ed.) <\/span><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span lang=\"en-US\"><i>Cognitive Illusions: Intriguing phenomena in thinking, judgment and memory. <\/i><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span lang=\"en-US\">2a. ed. New York: Routledge\/ Taylor &amp; Francis Group, 2016. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span lang=\"en-US\">SCHOOLER, Jonathan W., ENGSTLER \u2013 SCHOOLER, Tonya Y. Verbal Overshadowing of Visual Memories: Some things are better left unsaid. <\/span><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Cognitive Psychology<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">. Volume 22, n. 1, 1990. <\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">TALON, Evinis. STF: Procedimento para reconhecimento de pessoas. Dispon\u00edvel em <\/span><\/span><span style=\"color: #0563c1;\"><u><a href=\"https:\/\/evinistalon.com\/stf-procedimento-para-reconhecimento-de-pessoas\/\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">https:\/\/evinistalon.com\/stf-procedimento-para-reconhecimento-de-pessoas\/<\/span><\/span><\/a><\/u><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> , acesso em 15.03.2023. <\/span><\/span><\/p>\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a> \u201cA jurisprud\u00eancia desta Corte \u00e9 firme no sentido de que as disposi\u00e7\u00f5es insculpidas no art. 226 do CPP configuraram mera recomenda\u00e7\u00e3o legal, e n\u00e3o uma exig\u00eancia, porquanto n\u00e3o se comina a san\u00e7\u00e3o de nulidade quando praticado o reconhecimento pessoal de modo diverso (STJ, HC 417.291\/SP, 5\u00aa. Turma , Rel. Min. Ribeiro Dantas, j. 03.04.2018, DJe 09.04.2018). Tamb\u00e9m h\u00e1 decis\u00f5es do STF similares: \u201cReconhecimento pessoal que, mesmo sem atender rigorosamente ao disposto no art. 226, CPP, n\u00e3o \u00e9 de molde a ensejar a anula\u00e7\u00e3o da prova assim obtida (STF, HC 73.839\/RJ, 2\u00aa. Turma, Rel. Min. Carlos Veloso, j. 29.004.1997, DJ 27.03.1998, p. 3).<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a> O STJ, revisando entendimento anterior, firmou orienta\u00e7\u00e3o de que o art. 226 do CPP estabelece determina\u00e7\u00f5es a serem obrigatoriamente atendidas para a validade do reconhecimento de pessoas. (HC 598.886\/SC, Rel. Ministro Rog\u00e9rio Schietti Cruz, 6\u00aa. T., j. em 27\/10\/2020, DJe 18\/12\/2020). No STF tamb\u00e9m se encontra esse correto posicionamento: \u201cAs formalidades previstas no art. 226 do C\u00f3digo de Processo Penal s\u00e3o essenciais \u00e0 valia do reconhecimento, que, inicialmente, h\u00e1 de ser feito por quem se apresente para a pr\u00e1tica do ato, a ser iniciado com a descri\u00e7\u00e3o da pessoa a ser reconhecida. Em seguida, o suspeito deve ser colocado ao lado de outros que com ele guardem semelhan\u00e7a, a fim de que se confirme o reconhecimento. A cl\u00e1usula \u2018se for poss\u00edvel\u2019, constante do inciso II do artigo de reg\u00eancia, consubstancia exce\u00e7\u00e3o, diante do princ\u00edpio da razoabilidade. O v\u00edcio n\u00e3o fica sanado pela corrobora\u00e7\u00e3o do reconhecimento em ju\u00edzo, tamb\u00e9m efetuado sem as formalidades referidas\u201d (STF, HC 75.331\/ SP, 2\u00aa. T. , Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio, j. 02.12.1997, DJ 06.03.1998, p. 3). E mais recentemente: Informativo STF 1045\/22, RHC 206846\/SP, julgado em 22\/02\/2022: \u201c(&#8230;) a desconformidade ao regime procedimental determinado no art. 226 do CPP deve acarretar a nulidade do ato e sua desconsidera\u00e7\u00e3o para fins decis\u00f3rios, justificando-se eventual condena\u00e7\u00e3o somente se houver elementos independentes para superar a presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia\u201d. Cf. TALON, Evinis. STF: Procedimento para reconhecimento de pessoas. Dispon\u00edvel em <span style=\"color: #0563c1;\"><u><a href=\"https:\/\/evinistalon.com\/stf-procedimento-para-reconhecimento-de-pessoas\/\">https:\/\/evinistalon.com\/stf-procedimento-para-reconhecimento-de-pessoas\/<\/a><\/u><\/span> , acesso em 15.03.2023.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote3\">\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote3anc\" name=\"sdfootnote3sym\">3<\/a> BONFIM, Edilson Mougenot. <i>Curso de Processo Penal<\/i>. 11\u00aa. ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2016, p. 484.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote4\">\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote4anc\" name=\"sdfootnote4sym\">4<\/a><span lang=\"en-US\"> Cf. POHL, R\u00fcdiger F. Labelling and Overshadowing Effects. In: POHOL, R\u00fcdiger F. (Ed.) <\/span><span lang=\"en-US\"><i>Cognitive Illusions: Intriguing phenomena in thinking, judgment and memory. <\/i><\/span><span lang=\"en-US\">2a. ed. New York: Routledge\/ Taylor &amp; Francis Group, 2016, p. 373 \u2013 389. <\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote5\">\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote5anc\" name=\"sdfootnote5sym\">5<\/a><span lang=\"en-US\"> MEISSNER, Cristian A., SPORER, Siegfried L. , SCHOOLER, Jonathan W. <\/span>Person descriptions as eyewitness evidence. In: LINDSAY, Rod C. L. \u201cet al.\u201d <span lang=\"en-US\">(Ed.). <\/span><span lang=\"en-US\"><i>The Handbook of Eyewitness Psychology: Memory for people. <\/i><\/span>Volume II. London: Psychology Press, 2013, \u201cpassim\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote6\">\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote6anc\" name=\"sdfootnote6sym\">6<\/a><span lang=\"en-US\"> SCHOOLER, Jonathan W. , ENGSTLER \u2013 SCHOOLER, Tonya Y. Verbal Overshadowing of Visual Memories: Some things are better left unsaid. <\/span><i>Cognitive Psychology<\/i>. Volume 22, n. 1, 1990, p. 36 \u2013 71.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote7\">\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote7anc\" name=\"sdfootnote7sym\">7<\/a> Op. Cit.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote8\">\n<p class=\"sdfootnote\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote8anc\" name=\"sdfootnote8sym\">8<\/a> MARMELSTEIN, George. <i>Testemunhando a Injusti\u00e7a: a ci\u00eancia da prova testemunhal e das injusti\u00e7as inconscientes<\/i>. S\u00e3o Paulo: Juspodivm, 2022, p. 159.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote9\">\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote9anc\" name=\"sdfootnote9sym\">9<\/a> Op. Cit., p. 156.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RECONHECIMENTO E \u201cVERBAL OVERSHADOWING\u201d Autor: Eduardo Luiz Santos Cabette, Delegado de Pol\u00edcia aposentado, Mestre em Direito Social, P\u00f3s \u2013 graduado em Direito Penal e Criminologia e Professor de Direito Penal, Processo Penal, Criminologia, Medicina Legal e Legisla\u00e7\u00e3o Penal e Processual Penal Especial em gradua\u00e7\u00e3o, p\u00f3s \u2013 gradua\u00e7\u00e3o e cursos preparat\u00f3rios. Autora: Bianca Cristine Pires dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":505,"featured_media":16577,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16574"}],"collection":[{"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/505"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16574"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16574\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16577"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}