{"id":16746,"date":"2023-04-17T08:45:10","date_gmt":"2023-04-17T12:45:10","guid":{"rendered":"http:\/\/amdepol.org\/sindepo\/?p=16746"},"modified":"2023-04-17T08:45:10","modified_gmt":"2023-04-17T12:45:10","slug":"coluna-atualizacao-juridica-delegado-de-policia-tem-autonomia-funcional-e-no-caso-de-legitima-defesa-da-honra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/2023\/04\/coluna-atualizacao-juridica-delegado-de-policia-tem-autonomia-funcional-e-no-caso-de-legitima-defesa-da-honra\/","title":{"rendered":"Coluna \u2018Atualiza\u00e7\u00e3o Jur\u00eddica\u2019: Delegado de Pol\u00edcia tem Autonomia Funcional? E no Caso de Leg\u00edtima Defesa da Honra?"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Delegado Bruno Zanotti<\/em><\/p>\n<p>O STF, na ADI 5579 (08\/2022), decidiu pela\u00a0<strong><u>inconstitucionalidade da autonomia funcional do Delegado de Pol\u00edcia, peritos, m\u00e9dicos-legistas e outros cargos correlatos<\/u><\/strong>, bem como de toda a Pol\u00edcia Judici\u00e1ria, ao argumento de violar dois pressupostos constitucionais:<\/p>\n<ul>\n<li>O poder de requisi\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico; e<\/li>\n<li>a subordina\u00e7\u00e3o administrativa, funcional e financeira em rela\u00e7\u00e3o ao Governador, que possui a dire\u00e7\u00e3o superior da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica estadual (art. 144, \u00a76\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal).<\/li>\n<\/ul>\n<p>No mesmo julgado, o Tribunal consignou que tal conclus\u00e3o \u201cn\u00e3o afasta o dever desses servidores p\u00fablicos em atuarem com o\u00a0<strong>rigor da independ\u00eancia t\u00e9cnica<\/strong>, em especial, das fun\u00e7\u00f5es como de peritos criminais, m\u00e9dicos-legistas e datiloscopistas policiais, cabendo a esses profissionais analisar vest\u00edgios e elementos de convic\u00e7\u00e3o e interpret\u00e1-los, sem interfer\u00eancias ileg\u00edtimas, \u00e0 luz de seus conhecimentos t\u00e9cnicos e de sua experi\u00eancia\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-60324 td-animation-stack-type0-2\" src=\"https:\/\/adepoldobrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-2.png\" alt=\"\" width=\"393\" height=\"143\" \/><\/figure>\n<p>E no caso de\u00a0<strong><u>LEG\u00cdTIMA DEFESA DA HONRA<\/u><\/strong>, o Delegado de Pol\u00edcia pode fazer uso de tal teoria no inqu\u00e9rito policial \u00e0 luz da sua \u201cindepend\u00eancia t\u00e9cnica\u201d?<\/p>\n<p><strong><u>Por mais que o Delegado de Pol\u00edcia seja dotado de independ\u00eancia t\u00e9cnica ao decidir, ele n\u00e3o poder\u00e1 fazer uso durante a investiga\u00e7\u00e3o ou mesmo sugerir o arquivamento do procedimento com base no argumento da LEG\u00cdTIMA DEFESA DA HONRA<\/u><\/strong>. Existe decis\u00e3o vinculante e com efeito\u00a0<em>erga omnes<\/em>\u00a0do Supremo Tribunal Federal (ADPF 779-MC-Ref \u2013 03\/2021) vedando o uso da teoria, sob pena de nulidade do ato praticado pela Autoridade Policial.<\/p>\n<p>Lembre-se que\u00a0<strong><u>igual racioc\u00ednio aplica-se para o juiz ou mesmo para o Tribunal do J\u00fari<\/u><\/strong>. A\u00a0<strong><u>leg\u00edtima defesa da honra n\u00e3o \u00e9 esp\u00e9cie de leg\u00edtima defesa<\/u><\/strong>, pois aquele que pratica feminic\u00eddio em cen\u00e1rio de adult\u00e9rio n\u00e3o est\u00e1 a se defender, mas a atacar uma mulher de forma desproporcional, covarde e criminosa. Nas palavras do Tribunal, \u201c<strong><u>a leg\u00edtima defesa da honra \u00e9 recurso argumentativo\/ret\u00f3rico odioso, desumano e cruel utilizado pelas\u00a0defesas\u00a0de acusados de feminic\u00eddio ou agress\u00f5es contra a mulher<\/u><\/strong>\u00a0<strong>para imputar \u00e0s v\u00edtimas a causa de suas pr\u00f3prias mortes ou les\u00f5es<\/strong>\u201d.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile is-vertically-aligned-center\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-60322 size-full td-animation-stack-type0-2\" src=\"https:\/\/adepoldobrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-1.png\" sizes=\"(max-width: 596px) 100vw, 596px\" srcset=\"https:\/\/adepoldobrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-1.png 596w, https:\/\/adepoldobrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-1-300x276.png 300w, https:\/\/adepoldobrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-1-150x138.png 150w\" alt=\"\" width=\"596\" height=\"548\" \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><em><strong>Prof. e Del. Bruno Zanotti<\/strong><\/em>\u00a0\u2013 Doutor e Mestre em Direitos em garantias fundamentais. Professor de Direito Constitucional e Investiga\u00e7\u00e3o Criminal. Prof. no Curso \u00canfase e em p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es. Autor de obras publicadas pela Editora Juspodivm.\u00a0Delegado de Pol\u00edcia da PC-ES. \u00c9 Diretor da ADEPOL DO BRASIL<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Delegado Bruno Zanotti O STF, na ADI 5579 (08\/2022), decidiu pela\u00a0inconstitucionalidade da autonomia funcional do Delegado de Pol\u00edcia, peritos, m\u00e9dicos-legistas e outros cargos correlatos, bem como de toda a Pol\u00edcia Judici\u00e1ria, ao argumento de violar dois pressupostos constitucionais: O poder de requisi\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico; e a subordina\u00e7\u00e3o administrativa, funcional e financeira em rela\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":505,"featured_media":16747,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16746"}],"collection":[{"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/505"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16746"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16746\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}