{"id":19136,"date":"2024-03-21T16:49:21","date_gmt":"2024-03-21T20:49:21","guid":{"rendered":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/?p=19136"},"modified":"2024-03-21T16:49:21","modified_gmt":"2024-03-21T20:49:21","slug":"coluna-atualizacao-juridica-delegado-pode-arquivar-vpi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/2024\/03\/coluna-atualizacao-juridica-delegado-pode-arquivar-vpi\/","title":{"rendered":"Coluna \u2018Atualiza\u00e7\u00e3o Jur\u00eddica\u2019: Delegado Pode Arquivar VPI?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Delegado Bruno Zanotti<\/strong><\/p>\n<p>De in\u00edcio, o que \u00e9 uma VPI?<\/p>\n<p>A Verifica\u00e7\u00e3o Preliminar de Informa\u00e7\u00f5es tem por finalidade buscar elementos suficientes de autoria e materialidade, caso os existentes n\u00e3o sejam suficientes para instaurar um IP. Trata-se, portanto, de um procedimento PR\u00c9VIO e FACULTATIVO \u00e0 formal instaura\u00e7\u00e3o do inqu\u00e9rito policial. Est\u00e1 previsto no seguinte artigo:<\/p>\n<p>Art. 5\u00ba, \u00a7 3\u00ba, do CPP: Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da exist\u00eancia de infra\u00e7\u00e3o penal em que caiba a\u00e7\u00e3o p\u00fablica poder\u00e1, verbalmente ou por escrito, comunica-la \u00e0 autoridade policial, e esta, verificada a proced\u00eancia das informa\u00e7\u00f5es, mandar\u00e1 instaurar inqu\u00e9rito.<\/p>\n<p>E isso ocorre porque, atualmente, fala-se em JUSTA CAUSA para a instaura\u00e7\u00e3o do inqu\u00e9rito policial como a \u201ccausa necess\u00e1ria e suficiente para desencadear legitimamente um procedimento penal que restrinja ou possa restringir direitos fundamentais do imputado\u201d.<\/p>\n<p>Outro exemplo de utiliza\u00e7\u00e3o da VPI \u00e9 a den\u00fancia an\u00f4nima (notitia criminis inqualificada), que, por si s\u00f3, n\u00e3o pode fundamentar a instaura\u00e7\u00e3o do IP.Finalizada a VPI, ela pode (ou n\u00e3o) levar a instaura\u00e7\u00e3o do IP. Caso n\u00e3o haja instaura\u00e7\u00e3o do IP, poder\u00e1 o Delegado de Pol\u00edcia arquivar a VPI???Em nosso livro, DELEGADO DE POL\u00cdCIA: TEORIA E PR\u00c1TICA (9\u00aa ed. Juspodivm, 2024 \u2013 em breve), pontuamos que a determina\u00e7\u00e3o legal do art. 17 do CPP prescreve que o Delegado de Pol\u00edcia n\u00e3o poder\u00e1 arquivar o inqu\u00e9rito policial, OU SEJA, existe uma restri\u00e7\u00e3o do alcance do dispositivo legal do IP. Por isso, caso n\u00e3o verifique a exist\u00eancia de elementos de autoria e materialidade suficientes para instaurar o inqu\u00e9rito policial ap\u00f3s proceder a verifica\u00e7\u00e3o preliminar de informa\u00e7\u00f5es (VPI), o pr\u00f3prio Delegado de Pol\u00edcia poder\u00e1 arquivar esse procedimento (VPI) sem violar qualquer dispositivo legal. Eu mesmo sempre procedi dessa forma nas VPIs que presidi (e n\u00e3o foram poucas!), at\u00e9 porque o procedimento ficar\u00e1 na Delegacia de Pol\u00edcia para fins de controle externo da atividade policial.<\/p>\n<p>Em sentido contr\u00e1rio, Andr\u00e9 Nicolitt (2014, p. 290) entende que o controle de arquivamento das VPIs deve seguir a mesma sistem\u00e1tica do IPs e argumenta isso com base no art. 28 do CPP, o qual tem reda\u00e7\u00e3o ampla capaz de abranger tamb\u00e9m as VPIs pelos dispositivos fazer refer\u00eancia a \u201cquaisquer elementos informativos\u201d. Contudo, entendemos que essa n\u00e3o \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o mais adequada, uma vez que o art.28 do CPP (mesmo em sua nova reda\u00e7\u00e3o) \u00e9 direcionado exclusivamente para atua\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico, n\u00e3o ao Delegado de Pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Para resumir e finalizar:<\/p>\n<p>\u00b7Art. 17 do CPP \u00e9 direcionado ao Delegado de Pol\u00edcia;<\/p>\n<p>\u00b7Art. 28 do CPP \u00e9 direcionado ao MP.<\/p>\n<p>E qual o entendimento de voc\u00eas sobre o tema?<\/p>\n<p>Delegado pode arquivar VPI?<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-64002 size-full td-animation-stack-type0-2\" src=\"https:\/\/adepoldobrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image.png\" sizes=\"(max-width: 596px) 100vw, 596px\" srcset=\"https:\/\/adepoldobrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image.png 596w, https:\/\/adepoldobrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-300x276.png 300w, https:\/\/adepoldobrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-150x138.png 150w\" alt=\"\" width=\"596\" height=\"548\" \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><em><strong>Prof. e Del. Bruno Zanotti<\/strong><\/em>\u00a0\u2013 Doutor e Mestre em Direitos em garantias fundamentais. Professor de Direito Constitucional e Investiga\u00e7\u00e3o Criminal. Prof. no Curso \u00canfase e em p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es. Autor de obras publicadas pela Editora Juspodivm.\u00a0Delegado de Pol\u00edcia da PC-ES. \u00c9 Diretor da ADEPOL DO BRASIL<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Delegado Bruno Zanotti De in\u00edcio, o que \u00e9 uma VPI? A Verifica\u00e7\u00e3o Preliminar de Informa\u00e7\u00f5es tem por finalidade buscar elementos suficientes de autoria e materialidade, caso os existentes n\u00e3o sejam suficientes para instaurar um IP. Trata-se, portanto, de um procedimento PR\u00c9VIO e FACULTATIVO \u00e0 formal instaura\u00e7\u00e3o do inqu\u00e9rito policial. 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