{"id":8697,"date":"2018-08-27T17:57:15","date_gmt":"2018-08-27T21:57:15","guid":{"rendered":"http:\/\/amdepol.org\/sindepo\/?p=8697"},"modified":"2018-08-28T18:00:45","modified_gmt":"2018-08-28T22:00:45","slug":"racismos-desafios-contemporaneos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/2018\/08\/racismos-desafios-contemporaneos\/","title":{"rendered":"Racismos: Desafios Contempor\u00e2neos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Cley Celestino Batista (UFMT)<span style=\"color: #3366ff;\">[1]<\/span><br \/>\nG\u00eanison Brito Alves Lima (UFMT)<span style=\"color: #3366ff;\">[2]<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Este ensaio acad\u00eamico objetiva tratar dos desafios contempor\u00e2neos do racismo, com \u00eanfase nas conflitualidades vivenciadas pelos sujeitos. Sendo necess\u00e1rio um estudo que leve a uma avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica mais aprofundada no que se refere a tal comportamento social. Nesse esteio, destaca-se a quest\u00e3o: como o quadro do racismo institu\u00eddo na sociedade cotidiana interfere no desenvolvimento humano?<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o tem como metodologia a an\u00e1lise liter\u00e1ria com vista ao alcance da referida prospec\u00e7\u00e3o. A pesquisa tem abordagem qualitativa, porquanto conforme Minayo (2001 apud Gerhardt e Silveira, 2009, p. 32), \u201ctrabalha com o universo de significados, motivos, aspira\u00e7\u00f5es, cren\u00e7as, valores e atitudes [&#8230;]\u201d. Ela \u00e9 te\u00f3rica e bibliogr\u00e1fica, pois segundo Gil (2008, p. 50) \u201c\u00e9 desenvolvida a partir de material j\u00e1 elaborado, constitu\u00eddo principalmente de livros e artigos cient\u00edficos.\u201d Quanto ao objetivo \u00e9 explorat\u00f3ria. O m\u00e9todo \u00e9 compreensivo e a coleta de dados dar-se-\u00e1 de maneira direta e indireta, baseada, especialmente, em fontes secund\u00e1rias.<\/p>\n<p>Ressalta-se que, n\u00e3o se prop\u00f5e de maneira alguma dar conta de toda a vis\u00e3o em que consiste o discernimento dos autores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 t\u00f4nica, mas peregrinar sobre alguns dos textos que abordam o tema. Portanto, este estudo, al\u00e9m da introdu\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 exibido em tr\u00eas se\u00e7\u00f5es para revis\u00e3o da literatura acerca dos conceitos\/categorias centrais dos te\u00f3ricos, seguidos de uma breve considera\u00e7\u00e3o final.<\/p>\n<p>A primeira delas, designada <strong><span style=\"color: #000000;\">\u201cDo mito \u00e0 realidade \u2013 evid\u00eancias do preconceito e racismo pelo mundo\u201d<\/span><\/strong> trata das entranhas do tema; a segunda chamada <strong><span style=\"color: #000000;\">\u201cConstitui\u00e7\u00e3o da identidade do indiv\u00edduo vitimado \u2013 olhando para si.\u201d<\/span><\/strong>, apresenta o caminho para a identidade social; e a terceira intitulada <strong><span style=\"color: #000000;\">\u201cOs desafios contempor\u00e2neos para enfrentamento ao racismo\u201d<\/span><\/strong>, indica os desafios na interven\u00e7\u00e3o cotidiana.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">2. Do mito \u00e0 realidade \u2013 evid\u00eancias do preconceito e racismo pelo mundo<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Na Mesopot\u00e2mia<span style=\"color: #3366ff;\">[3]<\/span>, regi\u00e3o do crescente f\u00e9rtil, h\u00e1 cinco mil anos antes de Cristo, as tribos n\u00f4mades se uniram pela agricultura, instituindo divis\u00f5es de tarefas baseado em crit\u00e9rios de explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem. Mais tarde, a influ\u00eancia ocidental segue o padr\u00e3o greco-romano<span style=\"color: #3366ff;\">[4]<\/span>, onde o valor de uma pessoa era designado por sua origem, poder e fator econ\u00f4mico na sociedade. Entre os s\u00e9culos XVI e XVII, o conceito de ra\u00e7a passa a ser empregado nas rela\u00e7\u00f5es entre classes sociais na Fran\u00e7a, onde a nobreza identificava os Francos de origem germ\u00e2nica, como de <em>\u201csangue puro\u201d<\/em>, para se diferenciar dos Gauleses, a ideia de ra\u00e7a era baseada na biologia<span style=\"color: #3366ff;\">[5]<\/span>.<\/p>\n<p>Somente a partir do s\u00e9culo XVIII, durante o iluminismo, estudiosos se apropriaram do conceito de ra\u00e7a das ci\u00eancias naturais, visando nomear outros povos (n\u00e3o-europeus), como <em>\u201cra\u00e7as diferentes\u201d<\/em><span style=\"color: #3366ff;\">[6]<\/span>. No s\u00e9culo XIX, a \u201ccor da c\u00fatis\u201d fora inclu\u00edda junto a outros crit\u00e9rios morfol\u00f3gicos para analisar as diferen\u00e7as entre indiv\u00edduos<span style=\"color: #3366ff;\">[7]<\/span>. Em 1859, Charles Darwin publica a obra <em>\u201cA origem das esp\u00e9cies\u201d<\/em>, introduzindo a ideia de evolu\u00e7\u00e3o a partir de um ancestral comum, por meio de uma sele\u00e7\u00e3o natural.<\/p>\n<p>Na primeira metade do s\u00e9culo XX, o termo <em>\u201cpureza racial\u201d<\/em><span style=\"color: #3366ff;\">[8]<\/span>, utilizado pelo partido nazista da Alemanha na d\u00e9cada de 1940, incitava a desigualdade pol\u00edtica entre pessoas. Uma d\u00e9cada depois, em 1950, a UNESCO<span style=\"color: #3366ff;\">[9]<\/span> declarou que o termo<em> \u201cra\u00e7a\u201d<\/em>, n\u00e3o passava de um mito social, mas ap\u00f3s James Dewey Watson e Francis Crick revelarem a estrutura do DNA<span style=\"color: #3366ff;\">[10]<\/span>, entre 1951 e 1953, outros pesquisadores verificaram que o termo ra\u00e7a era impr\u00f3prio para classificar os seres humanos, optando por <em>etnia<\/em><span style=\"color: #3366ff;\">[11]<\/span>, visto que ra\u00e7a associa a diferen\u00e7a entre os seres pelos seus atributos f\u00edsicos, enquanto a etnia vincula-se a comportamentos e \u00e0 apreens\u00e3o do mundo pelos povos.<\/p>\n<p>Em 1952, o fil\u00f3sofo e psiquiatra Frantz Fanon, publica a obra <em>\u201cPele negra, m\u00e1scaras brancas\u201d<\/em>, sobre <em>\u201cO colonialismo e o racismo, e seu reflexo psicol\u00f3gico e social nas comunidades n\u00e3o brancas no mundo\u201d<\/em>, afirmando que<span style=\"color: #3366ff;\">[12]<\/span>:<\/p>\n<blockquote><p>As culturas coloniais brancas igualam \u2018negritude\u2019 com inferioridade, parte da\u00ed que os povos colonizados querem escapar dessa posi\u00e7\u00e3o estabelecida e assumem a hipot\u00e9tica superioridade das culturas coloniais, rejeitando a pr\u00f3pria negritude, restando apenas o destino de ser branco. (ZIEGELMAIER, 2001, 301)<\/p><\/blockquote>\n<p>A diferen\u00e7a entre os seres humanos \u00e9 natural, mas n\u00e3o pode ser entendida como desigualdade, constru\u00edda socialmente, pela diminui\u00e7\u00e3o do outro, com representa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia como ser\u00e1 visto adiante.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>2.1 Racismo enquanto concep\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia no Brasil<\/strong><\/span><\/p>\n<p>O preconceito de cor no Brasil tem ra\u00edzes profundas no processo de coloniza\u00e7\u00e3o, gestando um povo com historicidade marcada etiologicamente pela opress\u00e3o e conflitualidades, onde as desumanidades e lutas xenof\u00f3bicas receberam suspens\u00e3o, via imposi\u00e7\u00e3o externa brit\u00e2nica de interesses capitalistas, resultando a proscri\u00e7\u00e3o da escravatura em 13 de maio de 1888, o que, teoricamente, transformaria escravos em seres humanos livres e em condi\u00e7\u00f5es de assim viverem, no entanto, n\u00e3o foi isso que aconteceu. Os rec\u00e9m-alforriados, sem qualquer contrapartida financeira capaz de viabilizar a inclus\u00e3o social, foram alijados no seio de uma sociedade elitizada, acomodada, preconceituosa, inconsequente e insatisfeita, sendo submetidos a supress\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o social compuls\u00f3ria.<\/p>\n<p>A tardia \u201caboli\u00e7\u00e3o\u201d transmutou-se e potencializou-se na forma de racismo, materializando-se nas inter-rela\u00e7\u00f5es compuls\u00f3rias e indesej\u00e1veis, em ambientes de uso reservado aos senhores contempor\u00e2neos que transcenderam a \u201ccasa grande\u201d.<\/p>\n<p>Sob este aspecto, esta viol\u00eancia \u00e9 percebida na esfera social em v\u00e1rias dimens\u00f5es, destacando-se as <em>econ\u00f4micas e sociais<\/em> &#8211; quando se manifestam e se propagam no plano material e da reprodu\u00e7\u00e3o do homem; seguidas das <em>simb\u00f3licas<\/em>, nomeadas por Pierre Bourdieu (1989, p. 11) no Poder Simb\u00f3lico &#8211; e se processam no plano do ps\u00edquico, da subjetividade, dos sentimentos e afetos, das ideias, dos valores, das cren\u00e7as, das rela\u00e7\u00f5es interpessoais e sociais; e a dimens\u00e3o <em>corporal<\/em> &#8211; aquela que se produz no plano f\u00edsico. Essa viol\u00eancia social adjetiva suas esp\u00e9cies, entre as quais est\u00e1 a discrimina\u00e7\u00e3o, pondo em a\u00e7\u00e3o o preconceito de cor, em cada um dos seus tipos, como apresenta Bert\u00falio (2002):<\/p>\n<blockquote><p>O primeiro, o individual, assemelhar-se-ia ao denominado preconceito racial, podendo se manifestar na figura do racista dominador ou aversivo. O segundo, institucional, manifestar-se-ia por a\u00e7\u00f5es oficiais que, de alguma forma, excluem ou prejudicam indiv\u00edduos ou grupos distintos. [&#8230;] O terceiro tipo, o cultural, \u00e9 a express\u00e3o individual ou institucional da superioridade da heran\u00e7a cultural de uma ra\u00e7a com rela\u00e7\u00e3o a outra. (BERT\u00daLIO, 2002, p. 82)<\/p><\/blockquote>\n<p>Fazendo frente a esta nocividade social a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 avan\u00e7ou tipificando o racismo como crime inafian\u00e7\u00e1vel. Apesar do pseudospermo<span style=\"color: #3366ff;\">[13]<\/span> de justi\u00e7a, os efeitos no pa\u00eds, como domina\u00e7\u00e3o cultural e social, al\u00e9m de segregar a popula\u00e7\u00e3o negra, tem resultado em genoc\u00eddio dessa gente em nossos dias. O Atlas da Viol\u00eancia 2017<span style=\"color: #3366ff;\">[14]<\/span> revela que homens, jovens, negros e de baixa escolaridade s\u00e3o as principais v\u00edtimas de homic\u00eddios no Pa\u00eds. A popula\u00e7\u00e3o negra corresponde a maioria (78,9%) dos 10% dos indiv\u00edduos com mais chances de serem assassinados. De cada 100 pessoas vitimadas no Brasil, 71 s\u00e3o negras, Marielle Franco<span style=\"color: #3366ff;\">[15]<\/span> se tornou um grito.<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 preciso que tais viol\u00eancias, executadas pelos \u201cpuros e normais\u201d<span style=\"color: #3366ff;\">[16]<\/span>, deixem a penumbra, sejam descortinados e postos \u00e0 luz para serem efetivamente enfrentados, conforme ser\u00e1 visto no pr\u00f3ximo item.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">2.2 Nos bastidores da pureza sociop\u00e1tica<\/span><\/strong><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #3366ff;\">[17]<\/span><\/span><strong><span style=\"color: #000000;\"> \u2013 o constructo da discrimina\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p>A despeito da possibilidade de imensas combina\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas entre os seres humanos, as diferen\u00e7as adaptadas ocorridas no n\u00edvel racial n\u00e3o mudam sua estrutura quanto \u00e0 esp\u00e9cie. Segundo Pena, (2005, p. 322) existe \u201cum amplo consenso entre antrop\u00f3logos e geneticistas humanos de que, do ponto de vista biol\u00f3gico, ra\u00e7as humanas n\u00e3o existem (AAA, 1998; Nat Genet, 2001).\u201d Apesar dos estudos cient\u00edficos sobre a ra\u00e7a, como constru\u00e7\u00e3o social ela \u00e9 enviesada, neste escopo diz Munanga (2004, apud PENA, 2005, p. 342): \u201co conceito de ra\u00e7a \u00e9 carregado de ideologia e sempre traz consigo algo n\u00e3o explicitado: a rela\u00e7\u00e3o de poder e domina\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 esse encadeamento de poder que deve ser observado nas express\u00f5es e relacionamentos feticheados. Existe um discurso inclusivo \u201cexcludente\u201d do \u201cdiferente\u201d e \u201cestranho\u201d, ideologizado na classe dominante, para justificar a subjuga\u00e7\u00e3o do outro, como algo idealmente puro e saud\u00e1vel para adequ\u00e1-los e ambient\u00e1-los ao padr\u00e3o estipulado.<\/p>\n<p>Neste sentido, emprestam-se ess\u00eancias do texto \u201cO Mal-estar da P\u00f3s Modernidade\u201d, de Zygmunt Bauman, extra\u00eddas nos primeiros cap\u00edtulos que aborda <em>os estranhos<\/em>, para assimilar como chegam a ser estranhos e as formas que cada sociedade os cria e luta contra eles, importa entender a imposi\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de pureza como elemento das influ\u00eancias di\u00e1rias e de experi\u00eancias dos modos de vida.<\/p>\n<p>Explicando sobre, Bauman (1998, p.14) diz que n\u00e3o h\u00e1 como pensar sobre a pureza sem ter uma imagem da \u201cordem\u201d, ou como n\u00e3o atribuir \u00e0s coisas seus lugares \u201cjustos\u201d e \u201cconvenientes\u201d, desta maneira, o oposto da \u201cpureza\u201d \u2013 o sujo, o imundo, os \u201cagentes poluidores\u201d \u2013 s\u00e3o coisas \u201cfora do lugar\u201d.<\/p>\n<p>Para Bauman (1998, p. 20) \u201cCada ordem tem suas pr\u00f3prias desordens; cada modelo de pureza tem sua pr\u00f3pria sujeira que precisa ser varrida.\u201d E como podem surgir sempre e rapidamente novas categorias de \u201csujeira\u201d, sem que haja meios h\u00e1beis para acompanha-las, nada parece seguro: \u201ca incerteza e a desconfian\u00e7a governam a \u00e9poca.\u201d (Ibid., p. 20) Assim, expressa o autor [&#8230;] a &#8220;coloca\u00e7\u00e3o em ordem&#8221;, agora, se torna indistingu\u00edvel da proclama\u00e7\u00e3o de sempre novas &#8220;anormalidades&#8221;, tra\u00e7ando sempre novas linhas divis\u00f3rias, identificando e separando sempre novos &#8220;estranhos&#8221;.<\/p>\n<p>Verifica-se ent\u00e3o que o ideal societ\u00e1rio \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o da pureza, (sustenta\u00e7\u00e3o da igualdade de classe, cultura, credo, cor, etc.) em seu ambiente \u2013 a ordem, e qualquer um ou coisa que se levante contra a conserva\u00e7\u00e3o dessa conforma\u00e7\u00e3o, suportar\u00e1 as consequ\u00eancias e o seu \u00f3dio.<\/p>\n<p>A press\u00e3o impele os respons\u00e1veis pelo controle social a reagir a toda interfer\u00eancia, e, neste caso, n\u00e3o h\u00e1 toler\u00e2ncia no processo de higieniza\u00e7\u00e3o social, o que se pensa para o impuro<span style=\"color: #3366ff;\">[18]<\/span>, na maioria das vezes, \u00e9 a puni\u00e7\u00e3o. A essa classe de estranhos resta a exclus\u00e3o para que haja purifica\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o social, contextuando nas palavras de Bauman (1998, p. 26) \u201ca busca da pureza p\u00f3s-moderna expressa-se diariamente com a a\u00e7\u00e3o punitiva contra os moradores das ruas pobres e das \u00e1reas urbanas proibidas, os vagabundos e indolentes.\u201d Observa-se que os afrodescendentes comp\u00f5e o maior percentual dentre estes moradores.<\/p>\n<p>Esta purifica\u00e7\u00e3o, na concep\u00e7\u00e3o de Bauman (1998, p. 28) \u00e9 \u201c[&#8230;] a ordem que protege o dique do caos.\u201d E a \u201cordem harmoniosa e racional\u201d a ser institu\u00edda n\u00e3o permitiria, nem abriria espa\u00e7o para \u201cos que se sentam escarranchados, para os cognitivamente ambivalentes. Constituir a ordem foi uma guerra de atrito empreendida contra os estranhos e o diferente\u201d (Ibid., p. 28). Para enfrentar esta guerra, Bauman apresenta duas estrat\u00e9gias vindas dos conceitos de L\u00e9vi-Strauss:<\/p>\n<blockquote><p>[&#8230;] antropof\u00e1gica: aniquilar os estranhos devorando-os e depois, metabolicamente, transformando-os num tecido indistingu\u00edvel do que j\u00e1 havia. Era esta a estrat\u00e9gia da assimila\u00e7\u00e3o: tomar a diferen\u00e7a semelhante; abafar as distin\u00e7\u00f5es culturais ou ling\u00fc\u00edsticas; proibir todas as tradi\u00e7\u00f5es e lealdades, exceto as destinadas a alimentar a conformidade com a ordem nova e que tudo abarca; promover e refor\u00e7ar uma medida, e s\u00f3 uma, para a conformidade. [&#8230;] antropo\u00eamica: vomitar os estranhos, bani-los dos limites do mundo ordeiro e impedi-los de toda comunica\u00e7\u00e3o com os do lado de dentro. Era essa a estrat\u00e9gia da exclus\u00e3o &#8211; confinar os estranhos dentro das paredes vis\u00edveis dos guetos, ou atr\u00e1s das invis\u00edveis, mas n\u00e3o menos tang\u00edveis, proibi\u00e7\u00f5es da comensalidade, do con\u00fabio e do com\u00e9rcio;&#8221; &#8220;purificar&#8221; \u2013 expulsar os estranhos para al\u00e9m das fronteiras do territ\u00f3rio administrado ou administr\u00e1vel; ou, quando nenhuma das duas medidas fosse fact\u00edvel, destruir fisicamente os estranhos. (BAUMAN, 1998, p. 28-29)<\/p><\/blockquote>\n<p>Na cidade <strong><span style=\"color: #000000;\">p\u00f3s-moderna<\/span><\/strong>, segundo Bauman (1998, p. 40) \u201cos estranhos significam uma coisa aos olhos daqueles para quem a \u2018\u00e1rea in\u00fatil\u2019 (as \u2018ruas principais\u2019, os \u2018distritos agitados\u2019) significa \u2018n\u00e3o vou entrar\u2019, e outra coisa aos olhos daqueles para quem \u2018in\u00fatil\u2019 quer dizer \u2018n\u00e3o posso sair\u2019.\u201d Apesar disso, a sele\u00e7\u00e3o entre os aptos e os inaptos, prossegue para a adequa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria, e s\u00f3 h\u00e1 legitima\u00e7\u00e3o quando um e outro adere ao modelo social, est\u00e9tico e econ\u00f4mico, onde a pureza implica o belo, o ter em face do ser.<\/p>\n<p>Neste escopo, como afirma Bauman (1998, p. 59) pobreza \u00e9 sin\u00f4nimo de crime, empobrecer \u00e9 como se fosse o produto de tend\u00eancias criminosas como \u201cabuso de \u00e1lcool, jogos de azar, drogas, vadiagem e vagabundagem\u201d. Os pobres n\u00e3o fazem jus a cuidado e assist\u00eancia, \u201cmerecem \u00f3dio e condena\u00e7\u00e3o &#8211; como a pr\u00f3pria encarna\u00e7\u00e3o do pecado\u201d (Ibid., p. 59). Da\u00ed levanta-se as seguintes d\u00favidas: Quem s\u00e3o, como se identificam e podem reagir estes pobres, estranhos vitimados pelos mecanismos de purifica\u00e7\u00e3o, na realidade hodierna brasileira?<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>3. Constitui\u00e7\u00e3o da identidade do indiv\u00edduo vitimado \u2013 olhando para si.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o afrodescendente deve consubstanciar a ess\u00eancia fisiol\u00f3gica indispens\u00e1vel para a atua\u00e7\u00e3o dos seus aspectos ps\u00edquicos e espirituais, um olhar sobre si principia tal realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sob este aspecto, a constitui\u00e7\u00e3o da identidade tem tr\u00eas dimens\u00f5es: o cuidado de si, com os outros e do ambiente. De acordo com Hall (2006)<span style=\"color: #3366ff;\">[19]<\/span>, o cuidado de si mesmo \u00e9 inato e se identifica com a pr\u00f3pria pessoa. Ser pessoa \u00e9 formar-se pelas dimens\u00f5es corp\u00f3reas, ps\u00edquica e espiritual<span style=\"color: #3366ff;\">[20]<\/span>. O ps\u00edquico, dentro de suas sensa\u00e7\u00f5es, desejos e estados de \u00e2nimos, se evidencia nos comportamentos da sociedade: ou fazendo-a reconhecer-se como pessoa, ou atribuindo-lhe todo o lastro de injurias e preconceitos. O espiritual se p\u00f5e para centrar o ser como pessoa, conscientizando-a de sua cultura e valores. J\u00e1 o cuidado com os outros \u00e9 constru\u00eddo socialmente, entre o mundo interior e exterior. A identidade negra \u00e9 constitu\u00edda dentro de seus valores e culturas, mas como diz o Fil\u00f3sofo L\u00e9vinas<span style=\"color: #3366ff;\">[21]<\/span> \u201c[&#8230;] o que nos torna humanos \u00e9 nossa fundamental rela\u00e7\u00e3o com o outro.\u201d<\/p>\n<p>Quanto ao ambiente, atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o, combate-se as injusti\u00e7as e com desenvolvimento humano enfrenta-se os estigmas que destroem as identidades. O desenvolvimento tem tr\u00eas dimens\u00f5es psicol\u00f3gicas<span style=\"color: #3366ff;\">[22]<\/span>: subjetivista, objetivista ou interacionista. Na dimens\u00e3o subjetivista \u00e9 perceber o homem a partir de sua constru\u00e7\u00e3o como pessoa, identificando sua vis\u00e3o de mundo \u2013 educar para transformar. No que concerne a objetivista, o princ\u00edpio \u00e9 estudar os comportamentos que conduzem a respostas injuriosas e preconceituosas a est\u00edmulos diferentes, quando este se depara com culturas diversas na sociedade, e ap\u00f3s essa identifica\u00e7\u00e3o, modificar ou eliminar, comportamentos n\u00e3o-conformes com a dignidade da pessoa.<\/p>\n<p>A aprendizagem e a aceita\u00e7\u00e3o do outro devem se seguir como etapas do desenvolvimento, com base nos conceitos de estrutura educacional de Vigotski<span style=\"color: #3366ff;\">[23]<\/span> e suas quatro frentes gen\u00e9ticas: filog\u00eanese, ontog\u00eanese, sociog\u00eanese e microg\u00eanese.<\/p>\n<p>Pela filog\u00eanese, levam-se em conta as possibilidades de desenvolvimento do homem como esp\u00e9cie na sua hist\u00f3ria. Enquanto a ontog\u00eanese direciona o desenvolvimento individual de uma determinada esp\u00e9cie, a sociog\u00eanese trabalha a cultura social em que o indiv\u00edduo est\u00e1 inserido. E finalmente a microg\u00eanese amplia a percep\u00e7\u00e3o de singularidade de cada indiv\u00edduo dentro da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Outro conceito importante de Vigotski \u00e9 a media\u00e7\u00e3o, onde o Estado, as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas, as ONGs, os grupos sociais pol\u00edticos de enfrentamentos ao racismo, devem trabalhar como elemento intermedi\u00e1rio nesta rela\u00e7\u00e3o, utilizando-se de v\u00e1rios instrumentos, para a constru\u00e7\u00e3o e desenvolvimento social da comunidade e desta com o mundo. Assim a transforma\u00e7\u00e3o cultural se dar\u00e1 de fora para dentro, e ser\u00e1 internalizada uma cultura de aceita\u00e7\u00e3o, de toler\u00e2ncia, de dignidade e de direitos a todos.<\/p>\n<p>Entretanto, o estigma ainda sobressai como fruto do estranhamento, um arqu\u00e9tipo de categorias sociais, onde o grupo predominante define e imp\u00f5e aos estigmatizados, a maneira como eles deveriam ser, deteriorando a identidade social do indiv\u00edduo<span style=\"color: #3366ff;\">[24]<\/span>, para sustentar o padr\u00e3o de poder. Goffman (1975) escrevendo sobre a manipula\u00e7\u00e3o da identidade deteriorada, se refere aos estigmas como \u201csinais corporais com os quais se procurava evidenciar alguma coisa de extraordin\u00e1rio ou mau sobre o status moral de quem os apresentava.\u201d<\/p>\n<blockquote><p>Enquanto o estranho est\u00e1 \u00e0 nossa frente, podem surgir evid\u00eancias de que ele tem um atributo que o torna diferente de outros que se encontram numa categoria em que pudesse ser inclu\u00eddo, sendo, at\u00e9, de uma esp\u00e9cie menos desej\u00e1vel [&#8230;]. Assim deixamos de consider\u00e1-la criatura comum e total, reduzindo-a a uma pessoa estragada e diminu\u00edda. Tal caracter\u00edstica \u00e9 estigma, especialmente quando o seu efeito de descr\u00e9dito \u00e9 muito grande [&#8230;] (GOFFMAN, 1975, p.12).<\/p><\/blockquote>\n<p>Destarte, viabilizando todas as dimens\u00f5es de identidade \u00e0s v\u00edtimas de preconceitos, possibilita-se a constru\u00e7\u00e3o de uma pessoa com exterioridade, interioridade e profundidade, pronta para responder aos desafios com sociabilidade.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>4. Os desafios contempor\u00e2neos para enfrentamento ao racismo<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Com o advento da Lei 12.288\/2010, que institui o Estatuto da Igualdade Racial no Brasil, o desafio maior \u00e9 oferecer uma abordagem hol\u00edstica \u00e0s respectivas pol\u00edticas sociais e a\u00e7\u00f5es afirmativas.<\/p>\n<p>Para isso, o mais urgente desafio \u00e9 o desenvolvimento humano. Nesta perspectiva, carece aplicar uma matriz educacional consubstanciada nos estudos das rela\u00e7\u00f5es interacionais, proposta na teoria de Piaget<span style=\"color: #3366ff;\">[25]<\/span>, estabelecendo valores para o desenvolvimento humano, com pol\u00edticas sociais inclusivas.<\/p>\n<p>Outro desafio \u00e9 a implanta\u00e7\u00e3o da media\u00e7\u00e3o como meio de resolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica de conflitos. Todavia, acima de tudo, est\u00e1 o desafio de melhorar a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, para alcan\u00e7ar os pobres, tornando crian\u00e7as oprimidas em protagonistas de um processo de ressignifica\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria mais igualit\u00e1ria, tolerante e menos preconceituosa.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">5. Considera\u00e7\u00e3o final<\/span><\/strong><\/p>\n<p>A proposta deste ensaio foi a reflexividade sobre como o quadro do racismo institu\u00eddo na sociedade cotidiana interfere no desenvolvimento humano.<\/p>\n<p>Nesse escopo, realizada a apreens\u00e3o do conte\u00fado liter\u00e1rio pesquisado, com respectiva an\u00e1lise, e atendido o objetivo e a estrat\u00e9gia, a pesquisa permitiu entender que o racismo \u00e9 excludente, fomentado nas rela\u00e7\u00f5es sociais de poder, impacta negativamente o desenvolvimento humano, por isso desafia todos a constitui\u00e7\u00e3o de uma sociedade, cujos padr\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o, permitam que as gera\u00e7\u00f5es futuras erijam uma identidade forte, com liberdade ideol\u00f3gica e cidad\u00e3 reflexiva, na compreens\u00e3o de que o princ\u00edpio da igualdade deve sobrepor todos os conceitos sociais de marginaliza\u00e7\u00e3o do ser humano.<\/p>\n<p>Espera-se assim, que este trabalho possa estimular novos questionamentos, d\u00favidas, reflex\u00f5es te\u00f3ricas e metodol\u00f3gicas, e, consequentemente, contribuir para o melhor entendimento do pensamento sobre a tem\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Notas<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[1]<\/span> Especialista em Direito Constitucional, Penal e Processo Penal (2009), Gest\u00e3o em Seguran\u00e7a P\u00fablica pela UFMT (2014). Bacharel em Direito (1997), acad\u00eamico de Filosofia na Universidade Federal de Mato Grosso (2017\/2018).<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[2]<\/span> Mestrando em Sociologia na Universidade Federal de Mato Grosso (2017). Especialista em Gest\u00e3o de Seguran\u00e7a P\u00fablica pela UFMT (2004). Bacharel em Comunica\u00e7\u00e3o Social &#8211; Faculdades Integradas C\u00e2ndido Rondon (2004) e em Direito pela Universidade Gama Filho (1987).<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[3]<\/span> Regi\u00e3o localizada na \u00c1sia, no Oriente M\u00e9dio (onde hoje \u00e9 o Iraque), entre os rios Tigre e o Eufrates.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[4]<\/span> Dom\u00ednio de grandes territ\u00f3rios baseados na diferencia\u00e7\u00e3o explicita de seres humanos, pensamento voltado a escravid\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[5]<\/span> Em 1758, Carolus Linnaeus, idealizador da Taxonomia Moderna, definiu quatro \u201cvariedades\u201d do homem lhes atribuindo caracter\u00edsticas f\u00edsicas e morais espec\u00edficas: \u201cAmericano, o Homo sapiens americanos, vermelho e com mau temperamento; Europeu, denominado Homo sapiens europaeus, branco e s\u00e9rio; Asi\u00e1tico, Homo sapiens asiaticus, amarelo e melanc\u00f3lico, e Africano, o Homo sapiens afer, preto e pregui\u00e7oso.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[6]<\/span> Guia mundo em foco especial: racismo, (5\u00aa Ed.) \u2013 S\u00e3o Paulo, Online Editora, Cap. I, p. 07, 2016.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[7]<\/span> Guia mundo em foco especial: racismo, (5\u00aa Ed.) \u2013 S\u00e3o Paulo, Online Editora, Cap. I, p. 07-08, 2016.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[8]<\/span> Guia mundo em foco especial: racismo, (5\u00aa Ed.) \u2013 S\u00e3o Paulo, Online Editora, Cap. I, p. 08, 2016.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[9]<\/span> Guia mundo em foco especial: racismo, (5\u00aa Ed.) \u2013 S\u00e3o Paulo, Online Editora, Cap. I, p. 08-09, 2016.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[10]<\/span> Guia mundo em foco especial: racismo, (5\u00aa Ed.) \u2013 S\u00e3o Paulo, Online Editora, Cap. I, p. 08, 2016.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[11]<\/span> Representa um grupo humano baseado em la\u00e7os culturais compartilhados.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[12]<\/span> ZIEGELMAIER, Rosemarie, tradutora, O livro da Filosofia, Editora Globo, 2001, p\u00e1g. 300 e 301.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[13]<\/span> Que apresenta falsa semelhan\u00e7a com a boa semente.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[14]<\/span> Lan\u00e7ado pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada \u2013 Ipea e o pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica em 05\/06\/2017.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[15]<\/span> Vereadora (PSOL\/RJ), brutalmente assassinada por causa de suas lutas pol\u00edticas em mar\u00e7o de 2018.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[16]<\/span> Conotativo de pessoas das classes dominantes que padronizam e ditam as normas de determinada sociedade.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[17]<\/span> Comportamento social ideol\u00f3gico antropof\u00e1gico ou antropo\u00eamico (conceitos emprestados de L\u00e9vi-Strauss).<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[18]<\/span> Aquele que n\u00e3o se encontra enquadrado pelos sujeitos e institui\u00e7\u00f5es que idearam uma ordem social previamente posta.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[19]<\/span> Hall, Stuart (2006). A identidade cultural na p\u00f3s-modernidade (11\u00aa.Edi\u00e7\u00e3o). S\u00e3o Paulo: DP&amp;A.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[20]<\/span> SANTOS, CASTRO. Campo Grande: UCDB, Humanidades, cap. II, p\u00e1g. 21, 2017.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[21]<\/span> LEVINAS, Emmanuel. A reconstru\u00e7\u00e3o da subjetividade, Porto Alegre, EDIPUCRS, 2002a.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[22]<\/span> FERREIRA, Fl\u00e1via Maria Feroldi, Psicologia do Desenvolvimento. Campo Grande: UCDB, cap. II, p\u00e1g. 16 a 18, 2015.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[23]<\/span> OLIVEIRA, M.K.de. Vigotski, aprendizado e desenvolvimento \u2013 um processo s\u00f3cio-hist\u00f3rico. S\u00e3o Paulo: Scipione, 1993.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[24]<\/span> Ideologia do branqueamento por meio da mistura de ra\u00e7as.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">[25]<\/span> PIAGET, J. Seis estudos de psicologia. Editora Forense: 1999.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Refer\u00eancias<\/span><\/strong><\/p>\n<p>BAUMAN, Zygmunt. O mal estar da p\u00f3s-modernidade. Rio de Janeiro: Zahar. 1998, p.7-61.<\/p>\n<p>BERT\u00daLIO, Dora Lucia de Lima. Direito e rela\u00e7\u00f5es raciais: uma introdu\u00e7\u00e3o cr\u00edtica ao racismo. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Direito).UFSC.<\/p>\n<p>Florian\u00f3polis,1989 Apud DUARTE, Evandro Charles Piza. Criminologia e racismo. Curitiba: Juru\u00e1, 2002. p.82.<\/p>\n<p>BOURDIEU, P.O Poder Simb\u00f3lico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.<br \/>\nDUARTE, Evandro Charles Piza. Criminologia e racismo. Curitiba: Juru\u00e1, 2002, p.80.<\/p>\n<p>FERREIRA, Fl\u00e1via Maria Feroldi, Psicologia do Desenvolvimento. Campo Grande: UCDB, cap. II, p\u00e1g. 16 a 18, 2015.<\/p>\n<p>GERHARDT, Tatiana Engel; SILVEIRA, Denise Tolfo. M\u00e9todos de pesquisa. Coordenado pela Universidade Aberta do Brasil \u2013 UAB\/UFRGS e pelo Curso de Gradua\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica \u2013 Planejamento e Gest\u00e3o para o Desenvolvimento Rural da SEAD\/UFRGS. \u2013 Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009.<\/p>\n<p>GIL, A.C. M\u00e9todos e t\u00e9cnicas de pesquisa social. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2008.<br \/>\nGOFFMAN, E. (1975). Estigma: notas sobre a manipula\u00e7\u00e3o da identidade deteriorada. M\u00e1rcia Bandeira de Mello Leite Nunes (Trad.). Rio de Janeiro: LTC<\/p>\n<p>HALL, Stuart (2006). A identidade cultural na p\u00f3s-modernidade (11\u00aa.Edi\u00e7\u00e3o). S\u00e3o Paulo: DP&amp;A.<\/p>\n<p>LEVINAS, Emmanuel. A reconstru\u00e7\u00e3o da subjetividade, Porto Alegre, EDIPUCRS, 2002.<\/p>\n<p>OLIVEIRA, M.K.de. Vigotski, aprendizado e desenvolvimento \u2013 um processo s\u00f3cio-hist\u00f3rico. S\u00e3o Paulo: Scipione, 1993.<\/p>\n<p>PENA, S. D. J.: Raz\u00f5es para banir o conceito de ra\u00e7a da medicina brasileira. Hist\u00f3ria, Ci\u00eancias, Sa\u00fade \u2013 Manguinhos, v. 12, n. 1, p. 321- 46, maio-ago. 2005.<\/p>\n<p>SANTOS, CASTRO. Campo Grande: UCDB, Humanidades, cap. II, p\u00e1g. 21, 2017).<\/p>\n<p>ZIEGELMAIER, Rosemarie, tradutora, O livro da Filosofia, Editora Globo, 2001<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cley Celestino Batista (UFMT)[1] G\u00eanison Brito Alves Lima (UFMT)[2] 1. Introdu\u00e7\u00e3o Este ensaio acad\u00eamico objetiva tratar dos desafios contempor\u00e2neos do racismo, com \u00eanfase nas conflitualidades vivenciadas pelos sujeitos. Sendo necess\u00e1rio um estudo que leve a uma avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica mais aprofundada no que se refere a tal comportamento social. 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