{"id":9020,"date":"2018-10-30T17:17:44","date_gmt":"2018-10-30T21:17:44","guid":{"rendered":"http:\/\/amdepol.org\/sindepo\/?p=9020"},"modified":"2018-10-30T17:17:44","modified_gmt":"2018-10-30T21:17:44","slug":"a-audiencia-de-custodia-nao-pode-servir-de-inducao-de-respostas-por-conduzidos-e-nem-subverter-a-presuncao-de-veracidade-e-legitimidade-dos-atos-policiais-para-prejudicar-a-atividade-de-seguranca-publ","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/2018\/10\/a-audiencia-de-custodia-nao-pode-servir-de-inducao-de-respostas-por-conduzidos-e-nem-subverter-a-presuncao-de-veracidade-e-legitimidade-dos-atos-policiais-para-prejudicar-a-atividade-de-seguranca-publ\/","title":{"rendered":"A audi\u00eancia de cust\u00f3dia n\u00e3o pode servir de indu\u00e7\u00e3o de respostas por conduzidos e nem subverter a presun\u00e7\u00e3o de veracidade e legitimidade dos atos policiais para prejudicar a atividade de seguran\u00e7a p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000000;\">Tem-se acompanhado com imensa preocupa\u00e7\u00e3o os desdobramentos da audi\u00eancia de cust\u00f3dia (audi\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o) por todo o Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Alguns v\u00eddeos divulgados na rede mundial t\u00eam trazido este ponto nodal e inquietude, qual seja, na qual parcela de ju\u00edzes faz perguntas, calcados na Resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Justi\u00e7a que acabam por induzir respostas de um conduzido durante \u00e0 audi\u00eancia de cust\u00f3dia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o pretende ser \u00e1spero, mas t\u00e9cnicas de interrogat\u00f3rio ou de reperguntas, se tendenciosas e capciosas, podem influenciar sobremaneira e distorcer, inclusive a realidade, com subvers\u00e3o mais ainda do atual sistema de persecu\u00e7\u00e3o criminal, em franco colapso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Infelizmente, in\u00fameros magistrados, promotores, defensores e advogados desconhecem a realidade de uma abordagem policial, dos seus n\u00edveis de seguran\u00e7a e de perigo para o policial<span style=\"color: #3366ff;\">[1] <\/span>&#8211; embora n\u00e3o seja o ponto central da celeuma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o vamos generalizar a parte sens\u00edvel do tema, pois sabemos que h\u00e1 tamb\u00e9m magistrados, promotores, defensores e advogados que discordam da raz\u00e3o de ser e sistematiza\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia de cust\u00f3dia (audi\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o) em nosso ordenamento p\u00e1trio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Quisera respeitosamente que um magistrado, um promotor, advogado ou defensor participasse por experi\u00eancia de incurs\u00f5es policiais pela favela ou qualquer outro ambiente com troca de tiros de fuzis ou mesmo em opera\u00e7\u00f5es policiais comuns<span style=\"color: #3366ff;\">[2]<\/span>, certamente entenderia o grito agonizante das for\u00e7as policiais<span style=\"color: #3366ff;\">[3]<\/span>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Ademais, embora parcela da m\u00eddia oculte propositalmente os n\u00fameros de mortes violentas envolvendo policiais na atividade policial ou fora dela, e se preocupe apenas em mostrar n\u00fameros que mostra pessoas mortas em conflitos policiais, o fato \u00e9 que a audi\u00eancia de cust\u00f3dia deve ser vista da forma que verdadeiramente foi institu\u00edda e n\u00e3o de forma a subverter o labor policial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A audi\u00eancia de cust\u00f3dia (audi\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o) n\u00e3o pode servir de indu\u00e7\u00e3o de respostas por conduzidos para prejudicar a atividade policial, sob pena de se fracassar com o direito fundamental \u00e0 Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em verdade, a audi\u00eancia de cust\u00f3dia serve para avaliar se o flagrante se enquadra numa das hip\u00f3teses legais do art. 302, do CPP, assim como a possibilidade de conceder a liberdade provis\u00f3ria com fixa\u00e7\u00e3o de medidas cautelares diversas da pris\u00e3o ou a convers\u00e3o da pris\u00e3o flagrancial em pris\u00e3o preventiva, e at\u00e9 mesmo relaxar a pris\u00e3o \u2013 embora haja ideias e propostas para enfrentamento do m\u00e9rito desde ali. Afora isto, qualquer postura do operador do Direito parece caminhar para o lado question\u00e1vel e censur\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A alega\u00e7\u00e3o de tortura, maus tratose o abuso de autoridade s\u00e3o asvers\u00f5es mais comuns utilizadas por presos e na maioria das vezes de forma a\u00e7odada e com o \u00fanico objetivo: o conduzido se vitimizar para atrair empatia do julgador com situa\u00e7\u00f5es positivas, em favor daquele (conduzido) e desqualificar o servi\u00e7o policial em que paira a presun\u00e7\u00e3o da legitimidade e veracidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Discuss\u00f5es destes jaez de tortura, maus tratos,abuso de autoridade entre outras s\u00e3o mat\u00e9rias de m\u00e9rito e devem ser avaliada no curso da investiga\u00e7\u00e3o ou da a\u00e7\u00e3o penal no momento oportuno, e n\u00e3o de forma ef\u00eamera \u2013 que muitas das vezes nem laudo de corpo de delito \u201cad cautelam\u201d foi juntado ainda aos autos do caderno investigativo ou da a\u00e7\u00e3o penal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Assim, conquanto paire sobre o servi\u00e7o policial a presun\u00e7\u00e3o da legitimidade e veracidade, esta premissa parece com todo respeito ignorada por alguns operadores do Direito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Confessa-se que\u00e0s vezes, a vers\u00e3o do preso \u00e9 t\u00e3o inconsistente que soa at\u00e9 ofensivo que as pessoas respons\u00e1veis pela audi\u00eancia de cust\u00f3dia (audi\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o) acreditem piamente nestas vers\u00f5es (dos presos), em detrimento de agentes policiais presentando o Estado com as presun\u00e7\u00f5es de legitimidade e veracidade a militarem em favor dos seus atos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o est\u00e1 a se pregar que vers\u00f5es de presos sejam totalmente ignoradas, mas essa an\u00e1lise deve ser feita com parcim\u00f4nia (de maneira mais criteriosa) e \u00e0s vezes na grande maioria at\u00e9 postergada para o momento oportunomais adiante \u2013 como na instru\u00e7\u00e3o processual ou no curso das investiga\u00e7\u00f5es policiais principais ou paralelas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A vers\u00e3o unilateral e isolada do conduzido n\u00e3o pode servir para dar azo \u00e0 deflagra\u00e7\u00e3o de procedimentos de plano e instantaneamente, sem ao menos contar com dilig\u00eancias preliminares, mirando buscar o m\u00ednimo de lastro probat\u00f3rio como justa causa para tanto. Ademais, a vers\u00e3o unilateral e isolada do conduzido n\u00e3o pode ter o cond\u00e3o de encetar outra postura e tratamento que viole o princ\u00edpio do estado de inoc\u00eancia (ou da n\u00e3o culpabilidade) ao agente policial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Ali\u00e1s, como j\u00e1 dito inicialmente, a audi\u00eancia de cust\u00f3dia n\u00e3o pode servir de indu\u00e7\u00e3o de respostas por conduzidos e nem subverter a presun\u00e7\u00e3o de veracidade e legitimidade dos atos policiais para prejudicar a atividade policial.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Ao adotar a palavra do conduzido como crit\u00e9rio \u00fanico na audi\u00eancia de cust\u00f3dia, corre-se o perigo de se fracassar com o direito fundamental \u00e0 Seguran\u00e7a P\u00fablica e outros valores tutelados pelo nosso ordenamento jur\u00eddico.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Essa cr\u00edtica ganha mais relevo ainda, quando se reporta e percebe a forma com que a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 213 de 15\/12\/2015 do Conselho Nacional de Justi\u00e7a foi redigida quanto \u00e0 audi\u00eancia de cust\u00f3dia (audi\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o) em alguns dispositivos espec\u00edficos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Talvez seja hora de um Procedimento de Controle Administrativo (PCA) perante o pr\u00f3prio CNJ ou at\u00e9 mesmo medidas no \u00e2mbito jurisdicional para se corrigir pontos espec\u00edficos da aludida resolu\u00e7\u00e3o que usam t\u00e9cnicas de perguntas ao conduzido,com todo respeito, no m\u00ednimo tendenciosas,porquanto acabam por colocar o servi\u00e7o policial em xeque numa n\u00edtida viola\u00e7\u00e3o de paridade de arma (na rela\u00e7\u00e3o pol\u00edcia versus criminoso) e do respeito quanto \u00e0 legitimidade e veracidade dos atos que devem pairar sobre os atos administrativos policiais, quando na verdade deve militar a presun\u00e7\u00e3o da legitimidade e veracidade dos atos policiais, pois assim como existem policiais com atua\u00e7\u00e3o question\u00e1vel, existem magistrados, promotores, advogados entre outros e nem por isso podemos subverter a m\u00e1xima de presun\u00e7\u00e3o de que todos atuem dentro das margens da lei.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Subverter essam\u00e1xima de presun\u00e7\u00e3o no tratamento e na ado\u00e7\u00e3o de provid\u00eancias impensadas e apressadas, em termos pr\u00e1ticos seria estendere nivelar a todos os pares da referida classe numa situa\u00e7\u00e3o vexat\u00f3ria, constrangedora e injusta. Isso \u00e9 inaceit\u00e1vel!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Exemplifica: a Resolu\u00e7\u00e3o ao inv\u00e9s de indagar (como desdobramento) de forma tendenciosa se o conduzido foi torturado, mau tratado ou abusado, por qu\u00ea n\u00e3o indagar como foi a pris\u00e3o e em que circunst\u00e2nciasse deu como j\u00e1 tem na pr\u00f3pria resolu\u00e7\u00e3o em itens que antecede? Isso bastaria e ao mesmo tempo n\u00e3o fomentaria ou daria margens para criatividades e inova\u00e7\u00f5es dos criminosos de fatos a prejudicarem sobremaneira e de forma infundada, o servi\u00e7o policial!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A partir do momento que a Resolu\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m com perguntas tendenciosas, capciosas e negativas quanto \u00e0 atividade policial, ela nivela todos os policiais por baixo, partindo do pressuposto ou da premissa de que todos policiais seria adeptos de torturas, maus tratos ou outras pr\u00e1ticas censur\u00e1veis. Essa interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser admitida em nenhum \u00e2ngulo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Diante dessa sistem\u00e1tica, se aconselha aos policiais,\u00e0 ado\u00e7\u00e3o de mecanismos de autoprote\u00e7\u00e3o que espelhem a verdade, em sendo a hip\u00f3tese, como por exemplo: policiais militares inserirem na ocorr\u00eancia decomo se deu a pris\u00e3o e suas circunst\u00e2ncias, assim como em suas falas em eventuais depoimentos que espelhem a verdade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Outrossim, caso o conduzido tenha alguma les\u00e3o anterior ou em decorr\u00eancia da fuga da situa\u00e7\u00e3o que ensejou sua pris\u00e3o,que seja esse detalhe constado tanto no corpo da ocorr\u00eancia policial como nos depoimentos, para evitar que isso seja lan\u00e7ado no futuro comoposs\u00edveis d\u00favidas das condutas dos policiais, caso o criminoso se aventure nas mentiras e as Autoridades endossem essas falas de forma a\u00e7odada e sem crit\u00e9rios rigorosos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Importante tamb\u00e9m criar banco de imagens (filmagens ou fotografias) seja da pris\u00e3o (quando for poss\u00edvel) ou at\u00e9 mesmo dos desdobramentos da ocorr\u00eancia (quando do registro, da estada do conduzido na Central de Ocorr\u00eancia e sua entrega \u00e0 Delegacia). Buscar tamb\u00e9m eventuais imagens pr\u00f3ximas ou nas imedia\u00e7\u00f5es das abordagens para comprovar a higidez do ato parece algo acertado, mesmo militando essa presun\u00e7\u00e3o de veracidade e legitimidade em prol do ato.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Os mesmos conselhos se estendem aos policiais civis. Aconselha-se inclusive que o Delegado de Pol\u00edcia formule essas perguntas ao conduzido tamb\u00e9m em se espelhando a verdade, de que realmente como foi a pris\u00e3o e suas circunst\u00e2ncias (sem induzir se de fato houve tortura, maus tratos e outras pr\u00e1ticas censur\u00e1veis). Ao menos na fase inquisit\u00f3ria se ter\u00e1 a vers\u00e3o do conduzido que corresponda a verdade real dos fatos. Caso perante o Poder Judici\u00e1rio, o criminoso opte por trilhar pelos caminhos de falsear a verdade, pelo menos se ter\u00e1 uma vers\u00e3o que fragiliza ou ao no m\u00ednimo imprima descr\u00e9dito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Outra recomenda\u00e7\u00e3o respeitosa seria os Sindicatos e Associa\u00e7\u00f5es agirem junto ao Conselho Nacional de Justi\u00e7a e ao Poder Judici\u00e1rio para aprimorar e corrigir distor\u00e7\u00f5es que margeiam a dita Resolu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Isso n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o, mas ao menos seria um arrefecimento para n\u00e3o potencializar mais ainda a vers\u00e3o unilateral e desprovida de outros elementos do conduzido, se torne uma \u201cverdade absoluta\u201d perante as audi\u00eancias de cust\u00f3dias (audi\u00eancias de apresenta\u00e7\u00f5es), em que simples vers\u00f5es isoladas, com laudos negativos e at\u00e9 mesmo sem laudos se amplificam e acabam se tornando verdades, mormente quando os crit\u00e9rios de aferi\u00e7\u00e3o s\u00e3o levados adiante com pouco rigor ou quando se acredita, ingenuamente, apenas e t\u00e3o somente nas palavras do criminoso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o se pretende ingressar neste instante nas estat\u00edsticas e aos efeitos nefastos das audi\u00eancias de cust\u00f3dia para a Seguran\u00e7a P\u00fablica, por\u00e9m, fato \u00e9 que mais cedo ou mais tarde os n\u00fameros e a crescente criminalidade comprovar\u00e1 que o Brasil n\u00e3o acertou ao optar pela audi\u00eancia de cust\u00f3dia quando subscreveu este item do Pacto Internacional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Portanto, \u00e9 hora mais do que nunca com a crescente criminalidade que Agentes Pol\u00edticos e Autoridades observem os preceitos legais e presun\u00e7\u00f5es no tratamento para com os policiais e se esforcem para um trabalho em prol do comum: seguran\u00e7a p\u00fablica como direito fundamental, porque mais cedo ou mais tarde com essa tend\u00eancia inevitavelmente a viol\u00eancia chegar\u00e1 a eles ou ao seu seio familiar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Por fim, aguarda-se que as premissas legais e atributos dos atos administrativos policiais com a presun\u00e7\u00e3o de legitimidade e veracidade sobre o servi\u00e7o policial n\u00e3o seja ignorada por alguns operadores do Direito na audi\u00eancia de cust\u00f3dia (audi\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o), se reservando a avaliar os aspectos estritamente formais da pris\u00e3o em flagrante e os desdobramentos para convers\u00e3o da pris\u00e3o em pris\u00e3o preventiva ou concess\u00e3o da liberdade provis\u00f3ria com fixa\u00e7\u00e3o de medidas cautelares diversas da segrega\u00e7\u00e3o da liberdade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Acreditar t\u00e3o somente na palavra do criminoso sem respaldo de outro elemento (como laudo pericial, v\u00eddeo, fotografias entre outros do suposto ato de tortura, maus tratos, abuso ou agress\u00e3o) parece ser algo temer\u00e1rio e at\u00e9 ing\u00eanuo. Imagine-se invertermos as premissas em que criminoso sem fundamento algum \u2018delata\u2019 outrosAgentes Pol\u00edticos ou Autoridades diversas?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Ser\u00e3o dados os mesmos tratamentos pelos \u00f3rg\u00e3os competentes que t\u00eam sido dispensados aos policiais \u2013 que em regra, s\u00e3o os primeiros a enfrentarem a criminalidade no calor dos fatos?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Reflitamos mais sobre as nuances das audi\u00eancias de cust\u00f3dias (audi\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o) para n\u00e3o se cometer injusti\u00e7a e desmotiva\u00e7\u00e3o para aquele que propicia a seguran\u00e7a e d\u00e1 a vida, se preciso for, pela nossa seguran\u00e7a!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Notas<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #3366ff;\">[1]<\/span> O art. 8\u00ba, art. 9 e seguintes, todos da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 213 de 15\/12\/2015 (<strong>Ementa:<\/strong>\u00a0Disp\u00f5e sobre a apresenta\u00e7\u00e3o de toda pessoa presa \u00e0 autoridade judicial no prazo de 24 horas) disciplinam que:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Art. 8\u00ba Na audi\u00eancia de cust\u00f3dia, a autoridade judicial entrevistar\u00e1 a pessoa presa em flagrante, devendo:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">I &#8211; esclarecer o que \u00e9 a audi\u00eancia de cust\u00f3dia, ressaltando as quest\u00f5es a serem analisadas pela autoridade judicial;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">II &#8211; assegurar que a pessoa presa n\u00e3o esteja algemada, salvo em casos de resist\u00eancia e de fundado receio de fuga ou de perigo \u00e0 integridade f\u00edsica pr\u00f3pria ou alheia, devendo a excepcionalidade ser justificada por escrito;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">III &#8211; dar ci\u00eancia sobre seu direito de permanecer em sil\u00eancio;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">IV &#8211; questionar se lhe foi dada ci\u00eancia e efetiva oportunidade de exerc\u00edcio dos direitos constitucionais inerentes \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o, particularmente o direito de consultar-se com advogado ou defensor p\u00fablico, o de ser atendido por m\u00e9dico e o de comunicar-se com seus familiares;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">V &#8211; indagar sobre as circunst\u00e2ncias de sua pris\u00e3o ou apreens\u00e3o;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">VI &#8211; perguntar sobre o tratamento recebido em todos os locais por onde passou antes da apresenta\u00e7\u00e3o \u00e0 audi\u00eancia, questionando sobre a ocorr\u00eancia de tortura e maus tratos e adotando as provid\u00eancias cab\u00edveis;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">VII &#8211; verificar se houve a realiza\u00e7\u00e3o de exame de corpo de delito, determinando sua realiza\u00e7\u00e3o nos casos em que:<\/span><\/p>\n<ol>\n<li><span style=\"color: #000000;\">a) n\u00e3o tiver sido realizado;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\">b) os registros se mostrarem insuficientes;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\">c) a alega\u00e7\u00e3o de tortura e maus tratos referir-se a momento posterior ao exame realizado;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\">d) o exame tiver sido realizado na presen\u00e7a de agente policial, observando-se a Recomenda\u00e7\u00e3o CNJ 49\/2014 quanto \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de quesitos ao perito;<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"color: #000000;\">VIII &#8211; abster-se de formular perguntas com finalidade de produzir prova para a investiga\u00e7\u00e3o ou a\u00e7\u00e3o penal relativas aos fatos objeto do auto de pris\u00e3o em flagrante;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">IX &#8211; adotar as provid\u00eancias a seu cargo para sanar poss\u00edveis irregularidades;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">X &#8211; averiguar, por perguntas e visualmente, hip\u00f3teses de gravidez, exist\u00eancia de filhos ou dependentes sob cuidados da pessoa presa em flagrante delito, hist\u00f3rico de doen\u00e7a grave, inclu\u00eddos os transtornos mentais e a depend\u00eancia qu\u00edmica, para analisar o cabimento de encaminhamento assistencial e da concess\u00e3o da liberdade provis\u00f3ria, sem ou com a imposi\u00e7\u00e3o de medida cautelar.<\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"color: #000000;\">1\u00ba Ap\u00f3s a oitiva da pessoa presa em flagrante delito, o juiz deferir\u00e1 ao Minist\u00e9rio P\u00fablico e \u00e0 defesa t\u00e9cnica, nesta ordem, reperguntas compat\u00edveis com a natureza do ato, devendo indeferir as perguntas relativas ao m\u00e9rito dos fatos que possam constituir eventual imputa\u00e7\u00e3o, permitindo-lhes, em seguida, requerer:<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"color: #000000;\">I &#8211; o relaxamento da pris\u00e3o em flagrante;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">II &#8211; a concess\u00e3o da liberdade provis\u00f3ria sem ou com aplica\u00e7\u00e3o de medida cautelar diversa da pris\u00e3o;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">III &#8211; a decreta\u00e7\u00e3o de pris\u00e3o preventiva;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">IV &#8211; a ado\u00e7\u00e3o de outras medidas necess\u00e1rias \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de direitos da pessoa presa.<\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"color: #000000;\">2\u00ba A oitiva da pessoa presa ser\u00e1 registrada, preferencialmente, em m\u00eddia, dispensando-se a formaliza\u00e7\u00e3o de termo de manifesta\u00e7\u00e3o da pessoa presa ou do conte\u00fado das postula\u00e7\u00f5es das partes, e ficar\u00e1 arquivada na unidade respons\u00e1vel pela audi\u00eancia de cust\u00f3dia.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\">3\u00ba A ata da audi\u00eancia conter\u00e1, apenas e resumidamente, a delibera\u00e7\u00e3o fundamentada do magistrado quanto \u00e0 legalidade e manuten\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o, cabimento de liberdade provis\u00f3ria sem ou com a imposi\u00e7\u00e3o de medidas cautelares diversas da pris\u00e3o, considerando-se o pedido de cada parte, como tamb\u00e9m as provid\u00eancias tomadas, em caso da constata\u00e7\u00e3o de ind\u00edcios de tortura e maus tratos.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\">4\u00ba Conclu\u00edda a audi\u00eancia de cust\u00f3dia, c\u00f3pia da sua ata ser\u00e1 entregue \u00e0 pessoa presa em flagrante delito, ao Defensor e ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, tomando-se a ci\u00eancia de todos, e apenas o auto de pris\u00e3o em flagrante, com antecedentes e c\u00f3pia da ata, seguir\u00e1 para livre distribui\u00e7\u00e3o.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\">5\u00ba Proferida a decis\u00e3o que resultar no relaxamento da pris\u00e3o em flagrante, na concess\u00e3o da liberdade provis\u00f3ria sem ou com a imposi\u00e7\u00e3o de medida cautelar alternativa \u00e0 pris\u00e3o, ou quando determinado o imediato arquivamento do inqu\u00e9rito, a pessoa presa em flagrante delito ser\u00e1 prontamente colocada em liberdade, mediante a expedi\u00e7\u00e3o de alvar\u00e1 de soltura, e ser\u00e1 informada sobre seus direitos e obriga\u00e7\u00f5es, salvo se por outro motivo tenha que continuar presa.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Art. 9\u00ba A aplica\u00e7\u00e3o de medidas cautelares diversas da pris\u00e3o previstas no art. 319 do CPP dever\u00e1 compreender a avalia\u00e7\u00e3o da real adequa\u00e7\u00e3o e necessidade das medidas, com estipula\u00e7\u00e3o de prazos para seu cumprimento e para a reavalia\u00e7\u00e3o de sua manuten\u00e7\u00e3o, observandose o Protocolo I desta Resolu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"color: #000000;\">1\u00ba O acompanhamento das medidas cautelares diversas da pris\u00e3o determinadas judicialmente ficar\u00e1 a cargo dos servi\u00e7os de acompanhamento de alternativas penais, denominados Centrais Integradas de Alternativas Penais, estruturados preferencialmente no \u00e2mbito do Poder Executivo estadual, contando com equipes multidisciplinares, respons\u00e1veis, ainda, pela realiza\u00e7\u00e3o dos encaminhamentos necess\u00e1rios \u00e0 Rede de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e \u00e0 rede de assist\u00eancia social do Sistema \u00danico de Assist\u00eancia Social (SUAS), bem como a outras pol\u00edticas e programas ofertados pelo Poder P\u00fablico, sendo os resultados do atendimento e do acompanhamento comunicados regularmente ao ju\u00edzo ao qual for distribu\u00eddo o auto de pris\u00e3o em flagrante ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia de cust\u00f3dia.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\">2\u00ba Identificadas demandas abrangidas por pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o ou de inclus\u00e3o social implementadas pelo Poder P\u00fablico, caber\u00e1 ao juiz encaminhar a pessoa presa em flagrante delito ao servi\u00e7o de acompanhamento de alternativas penais, ao qual cabe a articula\u00e7\u00e3o com a rede de prote\u00e7\u00e3o social e a identifica\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas e dos programas adequados a cada caso ou, nas Comarcas em que inexistirem servi\u00e7os de acompanhamento de alternativas penais, indicar o encaminhamento direto \u00e0s pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o ou inclus\u00e3o social existentes, sensibilizando a pessoa presa em flagrante delito para o comparecimento de forma n\u00e3o obrigat\u00f3ria.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\">3\u00b0 O juiz deve buscar garantir \u00e0s pessoas presas em flagrante delito o direito \u00e0 aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e psicossocial eventualmente necess\u00e1ria, resguardada a natureza volunt\u00e1ria desses servi\u00e7os, a partir do encaminhamento ao servi\u00e7o de acompanhamento de alternativas penais, n\u00e3o sendo cab\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o de medidas cautelares para tratamento ou interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria de pessoas autuadas em flagrante que apresentem quadro de transtorno mental ou de depend\u00eancia qu\u00edmica, em desconformidade com o previsto no art. 4\u00ba da Lei 10.216, de 6 de abril de 2001, e no art. 319, inciso VII, do CPP.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Art. 11. Havendo declara\u00e7\u00e3o da pessoa presa em flagrante delito de que foi v\u00edtima de tortura e maus tratos ou entendimento da autoridade judicial de que h\u00e1 ind\u00edcios da pr\u00e1tica de tortura, ser\u00e1 determinado o registro das informa\u00e7\u00f5es, adotadas as provid\u00eancias cab\u00edveis para a investiga\u00e7\u00e3o da den\u00fancia e preserva\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a f\u00edsica e psicol\u00f3gica da v\u00edtima, que ser\u00e1 encaminhada para atendimento m\u00e9dico e psicossocial especializado.<\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"color: #000000;\">1\u00ba Com o objetivo de assegurar o efetivo combate \u00e0 tortura e maus tratos, a autoridade jur\u00eddica e funcion\u00e1rios dever\u00e3o observar o Protocolo II desta Resolu\u00e7\u00e3o com vistas a garantir condi\u00e7\u00f5es adequadas para a oitiva e coleta id\u00f4nea de depoimento das pessoas presas em flagrante delito na audi\u00eancia de cust\u00f3dia, a ado\u00e7\u00e3o de procedimentos durante o depoimento que permitam a apura\u00e7\u00e3o de ind\u00edcios de pr\u00e1ticas de tortura e de provid\u00eancias cab\u00edveis em caso de identifica\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de tortura.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\">2\u00ba O funcion\u00e1rio respons\u00e1vel pela coleta de dados da pessoa presa em flagrante delito deve cuidar para que sejam coletadas as seguintes informa\u00e7\u00f5es, respeitando a vontade da v\u00edtima:<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"color: #000000;\">I &#8211; identifica\u00e7\u00e3o dos agressores, indicando sua institui\u00e7\u00e3o e sua unidade de atua\u00e7\u00e3o;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">II &#8211; locais, datas e hor\u00e1rios aproximados dos fatos;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">III &#8211; descri\u00e7\u00e3o dos fatos, inclusive dos m\u00e9todos adotados pelo agressor e a indica\u00e7\u00e3o das les\u00f5es sofridas;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">IV &#8211; identifica\u00e7\u00e3o de testemunhas que possam colaborar para a averigua\u00e7\u00e3o dos fatos;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">V &#8211; verifica\u00e7\u00e3o de registros das les\u00f5es sofridas pela v\u00edtima;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">VI &#8211; exist\u00eancia de registro que indique pr\u00e1tica de tortura ou maus tratos no laudo elaborado pelos peritos do Instituto M\u00e9dico Legal;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">VII &#8211; registro dos encaminhamentos dados pela autoridade judicial para requisitar investiga\u00e7\u00e3o dos relatos;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">VIII &#8211; registro da aplica\u00e7\u00e3o de medida protetiva ao autuado pela autoridade judicial, caso a natureza ou gravidade dos fatos relatados coloque em risco a vida ou a seguran\u00e7a da pessoa presa em flagrante delito, de seus familiares ou de testemunhas.<\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"color: #000000;\">3\u00ba Os registros das les\u00f5es poder\u00e3o ser feitos em modo fotogr\u00e1fico ou audiovisual, respeitando a intimidade e consignando o consentimento da v\u00edtima.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\">4\u00ba Averiguada pela autoridade judicial a necessidade da imposi\u00e7\u00e3o de alguma medida de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa presa em flagrante delito, em raz\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o ou den\u00fancia da pr\u00e1tica de tortura e maus tratos, ser\u00e1 assegurada, primordialmente, a integridade pessoal do denunciante, das testemunhas, do funcion\u00e1rio que constatou a ocorr\u00eancia da pr\u00e1tica abusiva e de seus familiares, e, se pertinente, o sigilo das informa\u00e7\u00f5es.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\">5\u00ba Os encaminhamentos dados pela autoridade judicial e as informa\u00e7\u00f5es deles resultantes dever\u00e3o ser comunicadas ao juiz respons\u00e1vel pela instru\u00e7\u00e3o do processo.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Art. 12. O termo da audi\u00eancia de cust\u00f3dia ser\u00e1 apensado ao inqu\u00e9rito ou \u00e0 a\u00e7\u00e3o penal (Dispon\u00edvel no site do CNJ em: <span style=\"color: #3366ff;\"><a style=\"color: #3366ff;\" href=\"http:\/\/www.cnj.jus.br\/busca-atos-adm?documento=3059\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.cnj.jus.br\/busca-atos-adm?documento=3059<\/a><\/span>).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #3366ff;\">[2]<\/span> Opera\u00e7\u00f5es policiais com n\u00edvel de adrenalina alto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #3366ff;\">[3]<\/span> Historicamente, as Pol\u00edcias Judici\u00e1rias por conta da indiferen\u00e7a do Estado-investiga\u00e7\u00e3o em tratar a seguran\u00e7a p\u00fablica como deve realmente ser tratada: com investimentos maci\u00e7os, intelig\u00eancia, poder b\u00e9lico, aumento de efetivo; com a sociedade historicamente voltada contra a pol\u00edcia; cobran\u00e7as por resultados policiais mesmo sabendo que para esses resultados s\u00e3o necess\u00e1rias medidas simult\u00e2neas como: educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, infraestrutura, distribui\u00e7\u00e3o de renda etc.Somado a isto, se tem tamb\u00e9m criminosos desrespeitosos, audaciosos entre outros ingredientes f\u00e1ticos a demonstrar que uma abordagem policial n\u00e3o pode ser encarada de maneira t\u00e3o simples \u2013 como alguns pensam equivocadamente que \u00e9.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o se est\u00e1 aqui a reclamar da nobre fun\u00e7\u00e3o policial escolhida por muitos vocacionados para tutelar a prote\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o de bem entre outros direitos, mas de apenas evidenciar que prender e cumprir mandados de pris\u00e3o numa abordagem policial entre outras pr\u00e1ticas rotineiras n\u00e3o s\u00e3o simples e demandam riscos imensos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">At\u00e9 o modo de ser dirigir para um cidad\u00e3o pela pol\u00edcia muitas das vezes depende de sinergia e de formas impositivas. A tarefa policial n\u00e3o se d\u00e1 na maioria das vezes no ar-condicionado, cadeiras confort\u00e1veis, do mundo das ideias e trocadilhos jur\u00eddicos. A tarefa policial \u00e9 de rua e perigo constante \u2013 em muitas das vezes um trabalho n\u00e3o reconhecido pela sociedade e partes de segmentos institucionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Ora, da forma que alguns membros dos Direitos Humanos numa vis\u00e3o unilateral e m\u00edope (que enxerga apenas a vertente do criminoso, se olvidando da v\u00edtima e dos protagonistas da seguran\u00e7a p\u00fablica) e alguns desconectados com a realidade querem a abordagem policial, para eles deveriam ser da seguinte forma: o policial numa oposi\u00e7\u00e3o pelo criminoso da interven\u00e7\u00e3o policial (troca de tiros) ao chegar para o delinquente deve dizer, por favor, pare de atirar contra n\u00f3s que vamos te prender; por favor, m\u00e3os na cabe\u00e7a ou na parede que farei uma revista, diante de fundadas suspeitas entre outras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Convida-se a cada um desses membros dos Direitos Humanos numa vis\u00e3o unilateral e m\u00edope (que enxerga apenas a vertente do meliante, se olvidando da v\u00edtima e dos protagonistas da seguran\u00e7a p\u00fablica) e alguns desconectados com a realidade a realizarem essa abordagem policial como membros da seguran\u00e7a p\u00fablica. Mas n\u00e3o podemos esquecer que,essas pessoas n\u00e3o podem em regra desempenhar essa tarefa, a n\u00e3o ser se tiverem em flagrante delito ou integrarem for\u00e7as policiais (ou for\u00e7as armadas nos contextos constitucionais e legais).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Antes que algum desavisado acuse este signat\u00e1rio de viola\u00e7\u00e3o aos Direitos Humanos, antecipa-se ser este um grande respeitador dos Direitos Humanos que \u00e9 uma conquista ineg\u00e1vel da humanidade. O que somos contra \u00e9 esta leitura que parte das pessoas fazem de forma equivocada, surgindo aquilo que parcela da sociedade cunhou de \u201cdireitos humanos dos bandidos\u201d. \u00c9 essa vis\u00e3o que n\u00e3o se concorda sobre os Direitos Humanos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A v\u00edtima, o cidad\u00e3o de bem e os agentes da seguran\u00e7a p\u00fablica n\u00e3o s\u00e3o tamb\u00e9m abrangidos pelos Direitos Humanos? Com a palavra, os fatos cotidianos que comprovam as constata\u00e7\u00f5es sublinhadas at\u00e9 aqui.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Afinal, os Direitos Humanos n\u00e3o s\u00e3o e nunca foram apenas para os delinquentes. Infelizmente, \u00e9 que parte de uma minoria por ignor\u00e2ncia ou propositalmente ignora que humanos somos todos n\u00f3s: o criminoso, a v\u00edtima e o agente de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong><a href=\"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/dr-joaquim.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6822 alignleft\" src=\"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/dr-joaquim.jpg\" alt=\"\" width=\"216\" height=\"166\" srcset=\"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/dr-joaquim.jpg 456w, https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/dr-joaquim-300x230.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 216px) 100vw, 216px\" \/><\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Sobre o autor:<\/strong> O Dr. Joaquim Leit\u00e3o J\u00fanior \u00e9 Delegado de Pol\u00edcia Civil do Estado de Mato Grosso.<\/span><\/p>\n<div class=\"the-content post-content clearfix\">\n<div class=\"the-content post-content clearfix\">\n<div class=\"entry-terms the-content\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry-terms the-content\"><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/2018\/09\/a-competencia-para-processar-e-julgar-o-crime-organizado-investigacoes-policiais-e-acoes-penais\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"entry-terms the-content\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tem-se acompanhado com imensa preocupa\u00e7\u00e3o os desdobramentos da audi\u00eancia de cust\u00f3dia (audi\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o) por todo o Brasil. Alguns v\u00eddeos divulgados na rede mundial t\u00eam trazido este ponto nodal e inquietude, qual seja, na qual parcela de ju\u00edzes faz perguntas, calcados na Resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Justi\u00e7a que acabam por induzir respostas de um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":505,"featured_media":9026,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9020"}],"collection":[{"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/505"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9020"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9020\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9026"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9020"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9020"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amdepol.org\/sindepo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9020"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}